Tamanho do texto

Apartamento em Copacabana foi comprado por R$ 140 mil em 2012 e vendido por R$ 550 mil em 2014; investigação aponta lavagem de dinheiro

 Flávio Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 9.5.19
Senador Flávio Bolsonaro negou ter cobrado devolução de parte do salário de seus funcionários na Alerj

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) lucrou até 292% em transações imobiliárias suspeitas de lavagem de dinheiro, relata o Ministério Público do Rio de Janeiro no pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal. No total, ele adquiriu 19 imóveis por R$ 9,4 milhões entre 2010 e 2017 e fez operações de venda que lhe renderam lucros de R$ 3 milhões no período. 

Um dos casos relatados é o de um apartamento na Avenida Prado Júnior, em Copacabana , no Rio, adquirido por ele em novembro de 2012 por R$ 140 mil e revendido em fevereiro de 2014 por R$ 550 mil, gerando um lucro de R$ 410 mil em pouco mais de um ano.

Leia também: MP aponta 'organização criminosa' em gabinete de Flávio Bolsonaro desde 2007

Segundo levantamento feito pelo MP, a valorização do imóvel foi de 292% no período, em contraste com a valorização imobiliária média da região de Copacabana, que no mesmo período foi de 11%.

Os investigadores apontam outra transação envolvendo imóvel no mesmo bairro, desta vez na Rua Barata Ribeiro. Comprado também em novembro de 2012 por R$ 170 mil, o apartamento foi vendido em novembro de 2013 por R$ 573 mil, gerando um lucro de R$ 403 mil, equivalente a 273%. Nesse período, os imóveis do bairro valorizaram em média 9%.

Leia também: Flávio Bolsonaro lucrou R$ 728 mil em negócios com investigados do caso Queiroz

Outro caso citado como suspeito de lavagem pelo MP foi a venda de imóveis para uma empresa com sede no Panamá. Entre dezembro de 2008 e setembro de 2010, Flávio Bolsonaro comprou 12 salas comerciais em um condomínio na Barra da Tijuca pelo preço total de R$ 2,6 milhões.

Elas foram revendidas em outubro de 2010 por R$ 3,1 milhões para a empresa MCA Exportação e Participações. “Mais do que o preço da transação, chama atenção o fato de a pessoa jurídica adquirente ter como sócia outra empresa com sede no Panamá (Listel)”, aponta o MP.

Leia também: Queiroz tenta suspender quebras de sigilo em caso que envolve Flávio Bolsonaro

Segundo os promotores que assinam a peça, “um dos mais tradicionais métodos de lavagem de dinheiro consiste na remessa de recursos ao exterior através de empresas off-shore, sediadas em paraísos fiscais, onde torna-se mais difícil apurar os reais beneficiários das transações envolvendo essas companhias”.