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Além de Raimunda Magalhães, Danielle da Nóbrega também está na lista dos ex-funcionários com sigilo fiscal e bancários quebrados pela Justiça do Rio

Flávio Bolsonaro e Queiroz
Reprodução
Quebra de sigilo no caso Queiroz atinge parentes de miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

quebra do sigilo fiscal e bancário de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz e outras 93 pessoas e empresas, autorizado pela 27ª Vara Criminal de Justiça do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (13), também alcançou Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, mulher e mãe, respectivamente, do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano tido pelo MP do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime.

A organização de milicianos é suspeita de envolvimento no assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. O ex-policial, hoje foragido, é acusado há mais de uma década de envolvimento em homicídios. Adriano já foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Alerj, em 2003 e 2004. O miliciano chegou a receber a medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Legislativo fluminense.

Danielle e Raimunda trabalharam no gabinete do então deputado estadual , Flávio. Elas tinham o cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Raimunda é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta de Queiroz, conforme aponta o relatório produzido pelo Coaf.

A ex-assessora, de 68 anos, repassou R$ 4,6 mil para a conta do ex-assessor. A indicação foi feita por Queiroz, conforme ele mesmo admitiu, por meio de seus advogados, em fevereiro deste ano.

Danielle foi nomeada oficialmente em 6 de setembro de 2007, trabalhando ininterruptamente na equipe de Flávio Bolsonaro até 13 de novembro de 2018, quando foi exonerada a pedido - terminologia utilizada quando o servidor pede sua desvinculação do cargo comissionado.

A quebra de sigilo bancário foi autorizada no período que vai de janeiro de 2007 a dezembro de 2018. Já a quebra do sigilo fiscal dos investigados, entre 2008 e 2018. No documento, o juiz Flávio Nicolau justificou a medida, considerando que o afastamento é "importante para a instrução do procedimento investigatório criminal" instaurado contra os investigados.

Há indícios de que houve a prática da chamada “rachadinha” — quando servidores devolverem parte dos salários aos deputados. Em fevereiro deste ano, o próprio Queiroz confirmou, em depoimento por escrito, que servidores do gabinete de Flávio devolviam parte do salário e que esse dinheiro era usado para ampliar a rede de colaboradores junto à base eleitoral do então deputado. O hoje senador Flávio nega que a "rachadinha" tenha ocorrido em seu gabinete.

Em nota, Flávio Bolsonaro diz que não fez nada de errado e que "a verdade prevalecerá". E afirma que não será usado para que atinjam o governo do seu pai , o presidente Jair Bolsonaro.