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Parlamentares repudiaram fala em que o guru bolsonarista chamou ex-comandante do Exército de 'doente preso a uma cadeira de rodas'

General Villas Bôas
Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil
Senadores defenderam o general Villas Bôas após declarações preconceituosas de Olavo de Carvalho

Senadores de diversos partidos defenderam nesta terça-feira (7) o ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e criticaram o ideólogo de direita Olavo de Carvalho, após o guru do bolsonarismo chamá-lo de "doente preso a uma cadeira de rodas" .

Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), os senadores mencionaram a disputa quando discutiam um projeto que obriga que todos os veículos tenham extintores de incêndio. O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que o governo "está precisando muito de extintor de incêndio" porque "é incêndio todos os dias", e afirmou que Olavo de Carvalho "tem sido o grande gestor dessas crises todas".

Já o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), saiu então em defesa de Villas Bôas e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

"Eu vejo um cidadão que não está aqui, não vive o dia a dia, não conhece a realidade total brasileira. Se tem méritos, eu não os conheço ainda, o senhor Olavo, mas posso dizer que tanto o general Villas Bôas como o general Heleno, com quem eu tive o prazer de conviver e trabalhar em conjunto em várias ações que beneficiaram a região do nosso Estado, eu posso dizer à senhora que são dois grandes brasileiros completos, dois brasileiros completos, que têm equilíbrio, democratas que sempre tiveram o equilíbrio necessário", ressaltou.

Em uma rede social, Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica, disse que a "cadeira de rodas não é uma prisão" e classificou o general da reserva como "exemplo de grandeza, lucidez e produtividade", além de dizer que Olavo vive "num cárcere mental".

Kátia Abreu (PDT-TO), em referência a Olavo, salientou que uma pessoa que "mora do outro lado do mundo" não pode "desmoralizar as Forças Armadas com palavrões e com palavras de baixo calão".

"Não são Forças Armadas de Bolsonaro , não, são Forças Armadas dos brasileiros e nós não podemos aceitar esse tipo de atitude de um presidente da República e de quem quer que seja que mora do outro lado do mundo e que venha desmoralizar as Forças Armadas com palavrões e com palavras de baixo calão, de baixo nível. Esse cidadão está insuflando, ele não sabe onde ele está mexendo. Esse governo não conhece as Forças Armadas. Todo mundo tem brio, todo mundo tem limite", ponderou.

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Plínio Valério (PSDB-AM) disse que irá apresentar uma moção de repúdio a Olavo e de apoio a Villas Bôas para ser analisada pelo plenário e ironizou o fato do ideólogo já ter trabalhado como astrólogo.

"Quando o astrólogo lê, não interpreta as estrelas direito e ofende o General Villas Bôas , está ofendendo, em particular, todos nós amazônidas, todos nós amazonenses. A gente está providenciando, senadora Kátia, não sei o termo correto, uma moção de repúdio a Olavo, ou de apoio a Villas Bôas, mas a gente está dando entrada a essa moção agora", revelou.

"Não pode passar em branco isso. Se esse cidadão acha que pode atacar uma pessoa de bem como o nosso Villas Bôas, certamente pensa que vai poder outras coisas. Aliás, ele pensa que pode outras coisas", acrescentou.

Depois, o assunto voltou a ser levantado no plenário e Villas Bôas foi defendido pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Lasier Martins (Podemos-RS), Jorge Kakuru (PSB-GO), Telmário Mota (PROS-RR) e Paulo Paim (PT-RS).