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Delegado Waldir acredita que a disputa interna de "tribos" na Esplanada está atrapalhando a governabilidade de Jair Bolsonaro e as articulações políticas

Delegado Waldir fala ao microfone na Câmara dos Deputados
Antônio Augusto/Câmara dos Deputados
Líder do PSL na Câmaraacredita que os olavistas atrapalham a governabilidade


O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), disse nesta quinta-feira ao GLOBO que o lugar de alunos, ex-alunos e admiradores do escritor Olavo de Carvalho é fora do governo. Ao fazer um balanço sobre os 100 dias de Jair Bolsonaro na Presidência, o parlamentar afirmou que há muitos acertos, mas apontou falhas na articulação política e na disputa interna entre "tribos" na Esplanada dos Ministérios, incluindo os olavistas. 

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Ao abordar a situação do Ministério da Educação e a demissão de Ricardo Vélez do comando da pasta, Waldir disse que seria preciso separar as correntes que compõem o governo e diminuir a briga entre olavistas e militares.

"Enquanto nós tivermos várias tribos num determinado ministério, você não tem o comando. Se perde o comando, são várias tribos se atritando. Acho que tem que ter um comando único. Separar militares, técnicos, olavistas e políticos. Separar e colocar cada um no seu quadrado", avaliou Delegado Waldir .

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Quando perguntado qual seria o "quadrado" dos seguidores de Olavo de Carvalho , o líder do PSL respondeu ser contra a presenta deles. "O quadrado dos olavistas seria, para mim, em razão da postura ideológica muito forte, pular fora do barco para que o presidente possa governar com tranquilidade".

Waldir ressaltou que faz a crítica porque gostaria que o governo acertasse. Além disso, lembrou que Olavo de Carvalho possui influência em dois ministérios: Educação e Relações Exteriores.

"É injusto um grupo ter dois ministérios e atacar o governo, atacar militares, atacar outros grupos existentes dentro do governo. (Seria bom estarem fora) até para pacificar", concluiu.

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O líder do PSL avalia que Bolsonaro acertou com o envio do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, e em outras inciativas da pauta econômica, como a elaboração da proposta da reforma da Previdência e de independência do Banco Central.

"Errou na articulação política, porque não montou uma bancada de apoio. Existe uma sinalização do presidente de que ele vai assumir a articulação. Mas tem que fazer em conjunto com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, que tem 320 votos. Os votos que ele teve na eleição para a presidência da Câmara podemos ter numa eventual votação para a reforma da Previdência", disse.

O duelo entre olavistas e militares não parou no Ministério da Educação. O ministro da Defesa, Santos Cruz, chegou a discutir com o filósofo por meio de entrevistas.

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