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Ivo Herzog afirmou que o pai foi "brutalmente assassinado" por aqueles que deram o emprego ao ministro; jornalista foi torturado pela ditadura militar

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Valter Campanato/ABr
Ivo Herzog rebateu as falas do ministro, que afirma que não houve golpe militar em 1964

Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar, enviou uma carta ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. No texto, ele rebate as  declarações do chanceler sobre o regime militar e o nazismo e pede que ele "renuncie imediatamente ao cargo". As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo

“A família do meu pai veio para o Brasil fugindo dos nazistas. Os que lá ficaram foram brutalmente assassinados. O meu pai foi brutalmente assassinado por aqueles que te deram o emprego que o senhor tem. Meu pai sempre foi de esquerda. O senhor entendeu ou precisa desenhar?”, escreveu Ivo Herzog

Na última quarta-feira (27), Ernesto Araújo afirmou, na Câmara dos Deputados, que não considera que houve golpe em 1964 e que a intervenção militar foi um "movimento necessário para que o Brasil não se tornasse uma ditadura". 

No dia seguinte, em entrevista ao site "Brasil Paralelo", o ministro voltou a causar polêmica quando afirmou que regimes autoritários como o nazismo e o fascismo na Alemanha eram "fenômenos de esquerda" , contrariando historiadores e a própria embaixada do país. Na carta, Ivo também disse ao chanceler que os nazistas foram derrotados pela URSS, que era de esquerda. 

Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura e militante do Partido Comunista Brasileiro. Em 1975, durante a gestão do general Ernesto Geisel, o jornalista se apresentou espontaneamente para prestar depoimento sobre suas ligações com os partidos, mas foi preso, torturado e assassinado nos porões do DOI-Codi.

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Na época, os militares divulgaram que ele havia se suicidado. Somente em 2012 o registro de óbito foi alterado, informando que a  morte decorreu de "lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército – SP". No ano passado, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por negligência na investigação do caso Herzog . Os responsáveis nunca foram punidos.