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O agente Danilo Campetti se orgulha, em suas redes sociais, de ser próximo do presidente Jair Bolsonaro; Gleisi Hoffmann pediu apuração sobre caso

Policial federal que fez a escolta de Lula ao velório do neto em SP é declaradamente pró-Bolsonaro e próximo ao presidente
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Policial federal que fez a escolta de Lula ao velório do neto em SP é declaradamente pró-Bolsonaro e próximo ao presidente

Um policial federal chamou a atenção durante a escolta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso em Curitiba, no Paraná, ao velório do seu neto , Arthur Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, no último sábado (2). Afinal, portando um fuzil, o agente ostentava em seu uniforme um distintivo da polícia de Miami/Swat, enquanto andava à frente do petista.

Em suas redes sociais, Danilo Campetti – que fez curso de especialização na divisão de armas e táticas especiais da polícia norte-americana – se orgulha do fato de ter feito também a segurança do presidente Jair Bolsonaro (PSL), quando ele era candidato. Inclusive, o policial federal não esconde a sua admiração pelo capitão, pois até sua foto de perfil é em apoio a Bolsonaro. 

Visualizar esta foto no Instagram.

Ouvi dizer que ELE era racista, mas testemunhei amizade sincera e despretensiosa entre um branco e um negro de mais de duas décadas, cuja cumplicidade resultou num recorde de votos confiados ao amigo com o mesmo sobrenome. Ouvi dizer que ELE era misógino, todavia observei lágrimas escorrendo todas as vezes que se falava sobre a filha, caçula derradeira de 4 homens. Ouvi dizer que ELE era machista, entretanto constatei o respeito, a devoção e o carinho dirigido à esposa, esteio daquele lar tranquilo e abençoado, conselheira em todos os assuntos. Ouvi dizer que ELE era homofóbico, mas o vi recebendo visita de declarados homossexuais no seu ambiente familiar, tratando-os com respeito e alegria. Ouvi dizer que ELE era violento, que pregava o ódio, porém quando ferido mortalmente assinalou, resignado e paciente, que ao algoz fossem imputados apenas os rigores preconizados na lei. Ouvi dizer que ELE era fascista, nazista, mas é improvável que o Mossad, serviço secreto israelense, teria falhado a ponto de permitir o encontro histórico de seu Premier com um defensor de seu maiores algozes. Ouvi alguns gritarem e suplicarem um calunioso ELE NÃO, mas a maioria o aplaudiu e "lacrou" ELE SIM, confirmando que a ética deve anteceder qualquer ideologia, que a honestidade e a sinceridade ainda prevalecem ante às práticas imorais arraigadas nos bastidores da política. Crer naquilo que "não vê", ter fé e guardá-la são orientações cristãs. Confirmá-la é privilégio divino. Durante 5 meses de árduo e tenso trabalho, com sacrifício da convivência familiar, enfrentando diversos cenários operacionais, só me resta agradecer à Deus por estar vivo e ter me proporcionado o privilégio de confirmar minha fé, apresentando diante dos meus olhos fatos contrários aos que eu "ouvia dizer"; de constatar que hoje temos um combatente, que galgou ao mais alto patamar da República, disposto a enfrentar o sistema, ombreado a uma legião de patriotas idealistas. E para aqueles que ainda julgam pelo "ouvi dizer", que possam algum dia constatar que @jairmessiasbolsonaro, #elesim é o presidente de todos os brasileiros, "talquei? Um forte abraço!"

Uma publicação compartilhada por APF Campetti (@apfcampetti) em

Sua imagem ao lado de Lula no último sábado reacendeu o debate sobre o posicionamento político de agentes de segurança. Além de tudo, Campetti também já deixou registrado em seu Instagram que esteve envolvido na operação que resultou na prisão do ex-presidente, em abril do ano passado. 

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Criticado pelo uso do emblema norte-americano no uniforme, durante uma operação brasileira, o agente pode ter ainda a sua conduta investigada pela Corregedoria da Polícia Federal . Isso pelo menos é o que aponta a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR). Ontem, ela anunciou que acionará a corporação.

"O problema não é o mesmo policial que fez a escolta do Lula ter feito a segurança do Bolsonaro nas eleições. O grave é o engajamento político do policial pro Bolsonaro. É caso de corregedoria. Vamos tomar providências. E pedir explicações do porquê ostentar o símbolo da polícia americana", publicou Gleisi.

Em resposta às críticas, Campetti se posicionou nas redes sociais assumindo que esteve ao lado de Bolsonaro e que também esteve ao lado de Lula, mas ironiza a respeito da diferença nos dois trabalhos. "Vejam a diferença", diz em publicação.



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Questionada pelo jornal O Globo , a PF afirmou que não comentaria a escolta do ex-presidente Lula e também não respondeu sobre as normas para o uso de distintivos em uniformes. O policial federal Danilo Campetti não se pronunciou sobre o fato de ter usado o distintivo da Swat na operação que envolvia o ex-presidente petista.

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