Tamanho do texto

Em depoimentos no acordo de delação premiada, ex-ministro afirmou que repassou dinheiro vivo ao ex-presidente vindos de propina da Odebrecht

Antonio Palocci foi ministro da Fazenda no início do governo Lula
Marcelo Camargo/ABr
Antonio Palocci foi ministro da Fazenda no início do governo Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que depor no dia 22 de março, às 9h, em inquérito da Polícia Federal a respeito das acusações do seu ex-ministro Antonio Palocci sobre repasses da empreiteira Odebrecht durante os oito anos de governo. O petista foi intimado pelo delegado da Operação Lava Jato em Curitiba, Filipe Hille Pace.

Leia também: Lula sabia que era alvo da Lava Jato antes da condução coercitiva, diz Palocci

Em depoimento no ano passado – dado após acordo de delação premiada – Antonio Palocci afirmou que repassou dinheiro vivo da Odebrecht a Lula em diversas oportunidades. Segundo o ex-ministro, as quantias eram entregues, muitas vezes, escondidos em caixas de celular e até de whisky.

A intimação obriga o petista a comparecer na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros –Delecor, mas como o intimado está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, pode ser que o depoimento aconteça em uma sala reservada no mesmo complexo onde já se encontra.

Segundo Palocci, o ex-presidente recebeu  R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil e R$ 80 mil  em espécie, além de R$ 50 mil por meio das caixas. Todos os repasses aconteceram em 2010, durante o governo de Dilma Rousseff.

Leia também: Andrade Gutierrez pagou Vox Populi a pedido do PT, diz Palocci em delação

Em um outro depoimento, Palocci chegou a afirmar que o petista possuía uma conta corrente apenas para receber propinas vindas diretamente da Odebrecht . O acordo para o repasse de R$ 300 milhões teria sido feito pessoalmente entre o ex-presidente e Emílio Odebrecht, principal mandatário da empreiteira.

Nas delações, o ex-ministro afirma que todos os repasses aconteciam para que o ex-presidente mantivesse os contratos da empreiteira em obras da Petrobras.

Responsável pela defesa do petista, o advogado Cristiano Zanin Martins entrou com pedido de acesso a prova já documentada, mas não foi atendido, tendo sido negado o acesso ao acordo de leniência da Odebrecht.

Leia também: Juiz nega pedido de Lula e agenda novo depoimento de Palocci sobre caças suecos

Preso em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula também foi citado por Palocci em outro processo que investiga a compra de caças suecos pelo governo brasileiro na época em que o petista era presidente. De acordo No primeiro depoimento sobre o caso, no dia 06 de dezembro, Antonio Palocci, afirmou que Luís Cláudio da Silva, um dos filhos do ex-presidente, recebeu propina em função das alterações de uma Medida Provisória (MP) editada por seu pai em 2009.

    Leia tudo sobre: Lula