Lula e o então ministro Antonio Palocci
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30.12.04
Lula e o então ministro Antonio Palocci


O juiz da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, Vallisney de Souza Oliveira, negou o pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva e agendou um novo depoimento do ex-ministro Antonio Palocci a respeito da compra de caças suecos pelo Brasil durante o governo do ex-presidente petista. 

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Desta forma, Palocci estará em audiência de inquisição no dia 16 de março e deve responder as perguntas da promotoria, que busca informações sobre em que circunstâncias Lula comprou os caças da Gripen. Em depoimento anterior, o ex-ministro afirmou que o ex-presidente recebeu propina para que os aviões fossem comprados pelo Governo Federal.

No primeiro depoimento sobre o caso, no dia 06 de dezembro,  Antonio Palocci , afirmou que Luís Cláudio da Silva, um dos filhos do ex-presidente, recebeu propina em função das alterações de uma Medida Provisória (MP) editada por seu pai em 2009, quando este ainda era presidente da República.

Segundo Palocci, um esquema foi acertado para realizar o pagamento de R$ 2,5 milhões em propina a Luís Cláudio para a realização do torneio Touchdown, de futebol americano, através de sua empresa de marketing esportivo, a LFT Marketing Esportivo.

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O dinheiro teria vindo através da empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos, do lobista Mauro Marcondes Machado, que representava os interesses da CAOA (Hyundai) e da MMC Automotores (Mitsubishi no Brasil). Elas teriam ofertado R$ 6 milhões ao petista e ao então chefe de gabinete do governo Gilberto Carvalho para financiar campanhas políticas do PT.

Em troca, as montadoras pediram a edição de uma MP, investigada na Operação Zelotes, que foi aprovada em 2009 e tinha como finalidade prorrogar incentivos fiscais dados a montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

"Me foi relatado pelo ex-presidente que ele havia tido entendimentos [para o pagamento de propina] com o seu Mauro Marcondes", disse Palocci.

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O advogado que representa o ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, disse que o depoimento prestado pelo ex-ministro teve o "nítido objetivo de atacar a honra e a reputação" do petista. Em nota, a defesa afirmou que Palocci mentiu para "manter relevantes vantagens que obteve em sua delação".

"O ex-ministro aproveitou de seu depoimento para, de forma inusual, tomar a iniciativa de fazer afirmações sem qualquer relação com o processo, com o nítido objetivo de atacar a honra e a reputação do ex-presidente e de seu filho Luis Claudio."

Diante do que ouviu, a defesa do petista pediu para que Antonio Palocci fosse retirado do caso, alegando que ele não "trazia verdades". Assim, o juiz analisou o pedido e negou nesta quinta-feira (24).

Luiz Inácio Lula da Silva está preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba desde 07 de abril condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro para beneficiar empreiteiras em negócios da Petrobras.

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