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Ex-parlamentar também criticou as políticas de segurança do ministro da Justiça, Sérgio Moro; ele atualmente mora em Berlim com a ajuda de amigos

Jean Wyllys saiu do País por conta de ameaças e agora vive na Europa
Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Jean Wyllys saiu do País por conta de ameaças e agora vive na Europa

Após sair do Brasil por conta de ameaças , o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) está dando palestras pela Europa sobre a situação política do País. Em Berlim, o ex-parlamentar criticou o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e parte do eleitorado que o apoia. 

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“Nem todo mundo está contaminado pelo vírus da burrice e do preconceito que infectou o novo governo do Brasil e parte dos eleitores que o aplaudem”, afirmou Jean Wyllys , em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , pouco antes de dar uma palestra na Fundação Rosa Luxemburgo, ligada ao partido alemão A Esquerda.

O ex-deputado também falou sobre o papel do ministro da Justiça, Sérgio Moro , nas investigações das ameaças feitas contra ele durante seu mandato. “Não confio na disposição dele em chegar ao fundo de lodaçal, pois estou convicto de que, no fundo desse esgoto, estão pessoas ligadas à família que lhe convidou pra ser ministro da Justiça", afirmou. 

Wyllys também questionou os jornalistas sobre a opinião do ministro em relação às supostas relações entre a família Bolsonaro e as milícias do Rio de Janeiro. "Ou ele continua calado?", perguntou o ex-parlamentar. 

Para ele, a crise no governo causada por supostas candidaturas laranjas no PSL, que levou à demissão do ministro da secretaria-geral da presidência, Gustavo Bebianno , tem mais a ver com a interferência dele nas milícias do que com corrupção. 

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Ativista das causas LGBT, Wyllys afirmou que a esquerda ainda está em fase de "entendimento" e apoia que a oposição se una para defender pautas de direitos humanos. “As esquerdas têm a obrigação de deixarem as divergências de lado e se unirem num projeto comum contrário a esse horror. E têm que fazer isso sem tratar as reivindicações dos movimentos negro, LGBT e de mulheres como algo menor ou irrelevante, porque não são", defendeu. 

Após a palestra, o ex-deputado deu uma entrevista coletiva à mídia internacional e voltou a criticar as políticas de Sérgio Moro. “O atual ministro da Justiça quer legalizar e ampliar possibilidades de assassinatos das pessoas. Por trás está, na verdade, uma tentativa de legalizar a opressão contra a oposição política que vai haver no governo Bolsonaro”, disse. 

O psolista atualmente está morando em Berlim com a ajuda de amigos e, segundo ele, já foi convidado para falar no Canadá, Portugal, França e Suécia. Ele também conta que o governo francês lhe ofereceu asilo político, mas preferiu não aceitar pois há outras pessoas que precisam mais e também por conta da demora do processo. 

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Agora, Jean Wyllys pretende tentar um visto de pesquisador ou estudante na Alemanha, e afirma que pretende fazer oposição ao governo Bolsonaro por meio de sua atividade intelectual e literária. 

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