Tamanho do texto

Reeleito em 2018, deputado do Psol abriu mão de seu mandato e resolveu sair do País por conta de mensagens que ameaçavam ele e sua família

Jean Wyllys iria dar início a seu terceiro mandato como deputado, mas decidiu pela sua segurança e de sua família
Divulgação/Psol na Câmara
Jean Wyllys iria dar início a seu terceiro mandato como deputado, mas decidiu pela sua segurança e de sua família

O deputado federal Jean Wyllys (Psol) – que foi reeleito para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas abriu mão de seu mandato na semana passada – enviou um ofício ao ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmando que voltou a ser ameaçado de morte após oficializar a sua renúncia. 

Leia também: De ex-BBB a ativista LGBT na Câmara: relembre trajetória do deputado Jean Wyllys

Por meio de sua assessoria, Jean Wyllys informou que recebeu duas mensagens em seu e-mail institucional, no sábado (26) e nessa segunda-feira (29). O e-mail é assinado por uma pessoa que diz se chamar Emerson Eduardo Rodrigues Setim e que afirmou planejar matar familiares do deputado, a quem a ameaça também foi enviada. 

"Isto não é uma bravata, é só um aviso. Foram colocados três sicários ao serviço de nossa corporação Comando Virtual Macelo Valle. Dado como objetivo, fora solicitado a eliminação de três alvos de forma não consecutiva", diz a mensagem. "O Jean pode estar exilado na Europa, 'seguro', mas não podemos dizer o mesmo de vocês", completa o autor. 

O e-mail também cita os nomes dos irmãos do deputado e o número de seus respectivos documentos. O nome "Comando Virtual Macelo Valle" faz referência a um homem que foi preso e já tinha feito ameaças a Wyllys anteriormente. 

Leia também: Substituto de Jean Wyllys tem histórico de confronto com filho de Bolsonaro

No ofício, a assessoria do parlamentar pede a Moro que, "dada a gravidade das mensagens, especialmente consideradas em um contexto onde o parlamentar se viu obrigado a sair do Brasil para preservar a própria integridade física", haja uma apuração das ameaças que Jean vem sofrendo ao longo dos dias. 

No último dia 24, o deputado revelou, em entrevista à Folha de S.Paulo , que vai desistir da carreira pública de vez e deixar o Brasil. De acordo com o parlamentar, que foi eleito pela terceria vez consecutiva, a decisão foi tomada por conta das  ameaças

À Carta Capital , Jean relatou que, em 2016, recebeu a mensagem que mais o assustou. “Você pode ser protegido, mas a sua família não. Já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?”, dizia o texto.  

“Vamos sequestrar a sua mãe, estuprá-la, e vamos desmembrá-la em vários pedaços que vamos te enviar pelo Correio pelos próximos meses. Matar você seria um presente, pois aliviaria a sua existência tão medíocre. Por isso, vamos pegar sua mãe, aí você vai sofrer”, escreveu o autor, em outra mensagem.

A Câmara publicou oficialmente , nessa terça-feira, a renúncia de Jean Wyllys . O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), determina a convocação do primeiro suplente da bancada do Psol do Rio de Janeiro e a inclusão de seu nome na lista dos parlamentares que tomam posse. O vereador carioca David Miranda (Psol-RJ) assumirá o lugar do deputado e também é ativista das causas LGBT.