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Lourdes Paixão recebeu R$ 400 mil de verbas públicas do PSL, a terceira maior durante as eleições, e terminou a disputa com apenas 274 votos

Maria de Lourdes Paixão, suposta candidata laranja do PSL
Reprodução/TV Globo
Maria de Lourdes Paixão, suposta candidata laranja do PSL

A Polícia Federal tomou nesta quarta-feira (20) o depoimento de Maria de Lourdes Paixão,  suspeita de ter sido candidata laranja do PSL  nas eleições de 2018. Postulante ao cargo de deputada federal pelo partido do presidente Jair Bolsonaro, Lourdes Paixão recebeu R$ 400 mil do fundo partidário apenas três dias antes do encerramento da campanha.

Candidata em Pernambuco, Lourdes Paixão recebeu apenas 274 votos nas eleições de 2018, apesar de ter sido a terceira maior recebedora de recursos do fundo partidário disponibilizados pelo PSL. O advogado que representa Lourdes Paixão negou que ela tenha sido uma candidata laranja do partido, alegando que o estado de saúde de sua mãe foi motivo para que ela não fizesse campanha. 

"Ela teve um grande problema, que foi o estado de saúde da mãe dela, que se internou, e perto da campanha ficou em home care na casa dela. E, logo depois da campanha, a mãe faleceu. E isso desestimulou", disse o advogado de Lourdes, Ademar Rigueira. 

O advogado também reclamou que o repasse de recursos do PSL ocorreu apenas quatro dias antes da eleição, o que teria afetado a visibilidade da campanha. "O dinheiro só foi liberado em cima da hora e já tinha todo um compromisso de gráfica, de material. Infelizmente, houve essa questão do repasse do fundo partidário ter saído em cima da hora, mas havia um compromisso anterior da liberação desse dinheiro", disse. 

O depoimento, inicialmente marcado para a quinta-feira passada, foi remarcado para esta quarta. A candidata deixou a sede da PF por volta da 11h15 e não falou com a imprensa. Será aberta uma investigação federal sobre o caso. 

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Dentro do partido, os R$ 400 mil recebidos em 2018 por Lourdes por meio do fundo partidário (composto por dinheiro público) ficam abaixo apenas dos R$ 1,8 milhão destinados a Luciano Bivar, presidente da legenda, e dos R$ 420 mil destinados à campanha do deputado Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara.

A quantia repassada à Lourdes foi superior ao valor destinado ao próprio presidente Jair Bolsonaro pelo fundo partidário e também a outros fenômenos eleitorais da legenda, como a deputada federal Joice Hasselmann (que obteve 1,07 milhão de votos) e a deputada estadual Janaina Paschoal (2,06 milhões de votos). Ambos não receberam recursos do fundo partidário.

De acordo com as informações repassadas pela campanha à Justiça Eleitoral, a candidata Maria de Lourdes Paixão recebeu os R$ 400 mil da Direção Nacional do partido no dia 3 de outubro, apenas quatro dias antes da eleição. No mesmo dia, ela contratou serviços de uma gráfica para a confecção de 5 milhões de santinhos, mesmo havendo apenas mais três dias para distribuição.

Segundo a reportagem do jornal Folha de S.Paulo , no endereço da nota fiscal emitida pela gráfica Itapissu, em Recife (PE), funciona já há mais de um ano uma oficina mecânica. Em outro endereço, que consta para a gráfica junto à Receita Federal, a reportagem do jornal encontrou uma pequena sala com duas mesas, onde não havia máquinas para impressão em larga escala.

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O presidente nacional do PSL , Luciano Bivar, negou à Folha  que Lourdes Paixão tenha sido uma candidata laranja e também garantiu que a decisão de destinar R$ 400 mil do fundo partidário a essa candidata não passou por ele – embora o episódio tenha se passado justamente em seu reduto político, Pernambuco.  Gustavo Bebianno, presidente do partido na época, foi exonerado após a repercussão do caso.