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Ao menos 53 candidatas receberam mais de R$ 100 mil de fundos partidários e eleitoral; algumas saíram da disputa com menos de 90 votos, entenda

Ao menos 53 possíveis candidaturas laranjas foram identificadas nas eleições
Nelson Jr./ ASICS/ TSE
Ao menos 53 possíveis candidaturas laranjas foram identificadas nas eleições

Ao menos 53 candidatos receberam mais de R$ 100 mil em verbas públicas para financiar suas campanhas, mas acabaram saindo das eleições de 2018 com menos de 1 mil votos, o que indica que as candidaturas podem ser laranjas. Entre os 14 partidos envolvidos, os que mais tiveram candidaturas suspeitas foram Pros, PRB, MDB, PSD e PR. 

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O levantamento foi feito pelo jornal Folha de S.Paulo , que cruzou os dados da Justiça Eleitoral e descobriu 53 potenciais candidaturas laranjas . Candidatos com votações mínimas receberam ao menos R$ 15 milhões em verbas públicas dos fundos partidário e eleitoral.

Dos 53 envolvidos, 49 eram mulheres. A lei eleitoral obriga que pelo menos 30% das verbas de campanha sejam destinadas a candidaturas femininas, o que reforça as suspeitas de que os partidos tenham colocado candidatas de fachada para atingir a cota.  

No Pros, 13 candidatas receberam mais de R$ 100 mil e tiveram menos de 1 mil votos. A apuração indica que, para quatro delas, os recursos foram disponibilizados pelo diretório nacional do PT, partido aliado do Pros. 

A candidata a deputada Marcele Rebello (Pros-RJ), assessora do deputado federal Felipe Bornier, atual secretário de Esportes do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), recebeu R$ 287,5 mil do PT e terminou a eleição com apenas 88 votos.

Do total recebido, R$ 62,7 mil foram repassados para uma empresa chamada Cotton Brasil Publicidade, que presta serviço ao mandato de Bornier na Câmara. A candidata Amanda Novaes (Pros-RJ) também recebeu R$ 287 mil, mas não fez campanha para si mesma, apenas pediu votos para o atual secretário de Esportes.

Outro caso de destaque é o de Sônia de Fátima Silva Alves, candidata a deputada estadual no Acre, pelo DEM. Ela recebeu R$ 279,6 mil, contratou 72 fornecedores e terminou a disputa eleitoral com apenas seis votos. 

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Em meio a outras nove candidatas do Pros, também está Débora Ribeiro (Pros-CE), candidata a deputada estadual que recebeu R$ 274 mil para a campanha. Ela contratou 122 pessoas, mas teve apenas 47 votos, nenhum deles veio de Sobral (CE), cidade onde moram a maioria dos funcionários contratados. 

Débora é cunhada do deputado federal Vaidon Oliveira (Pros-CE), que saiu das urnas com 3.020 votos da cidade. Já no PR, a candidata a deputada estadual pelo Piauí, Tamires Vasconcelos, recebeu R$ 370 mil do fundo eleitoral, gastou 99% dos recursos e terminou com 44 votos.

A candidata a deputada federal Tida do Brejinho (PSD-AL) recebeu R$ 450 mil e teve 233 votos. Seu segundo maior fornecedor foi Claudemir Lins França, advogado do deputado federal Marx Beltrão (PSD), reeleito com 139 mil votos em 2018.

Maria Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL de Pernambuco, recebeu R$ 400 mil para a campanha e também teve um número muito pequeno de votos comparado ao investimento, 274.

Nesta semana, o PSL se envolveu se envolveu em uma crise por conta de supostas candidaturas laranjas em Minas Gerais e Pernambuco, que tiveram verbas públicas repassadas autorizadas por Gustavo Bebbiano, atual ministro da secretaria-geral da presidência e que presidia o partido durante as eleições. A Polícia Federal já abriu investigações sobre as suspeitas. 



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