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Parlamentar lutou pelos direitos dos LGBTs, das mulheres e dos negros durante os oito anos de mandato e se envolveu em polêmicas com colegas

Jean Wyllys ficou livre de processo movido por Jair Bolsonaro na Comissão de Ética da Câmara
Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Jean Wyllys ficou livre de processo movido por Jair Bolsonaro na Comissão de Ética da Câmara

Alvo de ameaças, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) anunciou nesta quinta-feira (24) que não irá assumir seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados. O político, que se tornou um dos ícones na luta das minorias, ficou nacionalmente conhecido após participar do programa Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2005.

Nascido em Alagoinhas, a 119 quilômetros de Salvador, na Bahia, Jean Wyllys cursou comunicação social na Universidade Federal da Bahia e depois realizou mestrado em Letras, especializando-se em cultura brasileira e baiana.

O ganhador da 5ª edição do BBB se destacou como uma liderança de movimentos sociais. E, em 2010, o baiano elegeu-se deputado federal pelo PSOL, no Rio de Janeiro.  Em 2014, foi reeleito com 144 mil votos. Ativista e polêmico, o parlamentar lutou pela ampliação de direitos LGBTs, negros e das mulheres e foi alvo de diversas representação na Comissão de Ética da Câmara.

Em sua atuação, defendeu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a regularização da profissão de prostituta e a implementação de espaços de vivência específicos para travestis e transexuais em presídios.

Wyllys é autor de projetos como o que cria a campanha de conscientização e enfrentamento ao assédio contra as mulheres. Na área da educação, o deputado apresentou proposta para que fossem "vedadas quaisquer formas de proselitismo e discriminação" no ensino religioso.Contra o projeto conhecido como “Escola Sem Partido”, o parlamentar apresentou o "Escola Livre".

O deputado também é o autor da proposta que tenta revogar a reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer (MDB). O projeto ainda tramita na Casa. Seus projetos de lei incluem também o tratamento de doenças raras pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a instituição de uma política nacional Griô, para proteção das tradições orais, e criação de uma Lei Empresa Ficha Limpa, que impeça empresas sob investigação criminal de participar de licitações públicas. 

Jean Wyllys se envolveu em confusão com Bolsonaro durante votação do impeachment de Dilma Rousseff em 22016
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 17.4.16
Jean Wyllys se envolveu em confusão com Bolsonaro durante votação do impeachment de Dilma Rousseff em 22016

Um dos projetos de autoria do deputado aprovado na Câmara instituiu a campanha nacional de prevenção ao HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis, conhecida por Dezembro Vermelho.

Na Câmara, Wyllys participou da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, da Comissão de Educação, da Comissão de Cultura e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, entre outras. Do mesmo partido da vereadora assassinada Marielle Franco, o parlamentar também foi coordenador da comissão que investiga o assassinato.

Entre as representações contra o deputado no Conselho de Ética da Câmera, a mais polêmica tratava sobre o episódio em que ele disparou uma cusparada contra o então deputado federal  Jair Bolsonaro  durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Wyllys recebeu uma advertência por conta do caso. 

Em sua defesa, o pessolista alegou que reagiu a ofensas homofóbicas de Bolsonaro , ditas anteriormente à data do episódio e também no dia. Bolsonaro negou a provocação e disse que no dia do impeachment dirigiu a Wyllys apenas a frase “Tchau, querida”, um dos bordões da campanha contra Dilma. Naquele dia, o deputado do Psol votou contra o impedimento da ex-presidente. Bolsonaro votou a favor.

Prêmios e homenagens a Jean Wyllys

Jean Wyllys diz que ataques a ele visam
Divulgação/PSOL na Câmara
Jean Wyllys diz que ataques a ele visam "desprestigiar agenda política de defesa dos direitos humanos"

Em 2011, Wyllys foi homenageado com o Prêmio Trip Transformadores, foi o segundo mais votado nas categorias “Melhor deputado” e “Parlamentar de futuro” em seu ano de estreia no Prêmio Congresso em Foco, foi eleito, pela revista Época, um dos 100 brasileiros mais influentes em 2011.

No ano de 2013, o deputado recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Pedro Ernesto, oferecida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o Troféu Nelson Mandela, por sua atuação em defesa da igualdade e foi eleito um do s 60 mais poderosos do país pelo iG .

Já em 2015, Jean Wyllys foi premiado, pela terceira vez seguida, como melhor deputado pelo Prêmio Congresso em Foco. Também passou a integrar a lista das 50 personalidades mundiais na defesa da diversidade pela revista inglesa The Economist, em sua Lista Global da Diversidade.

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