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Maia também determinou a convocação do primeiro suplente da bancada do PSOL do Rio, David Miranda, que pode tomar posse já no dia 1º de fevereiro

Deputado Jean Wyllys renunciou ao terceiro mandato como deputado por conta das ameaças de morte que vem sofrendo
Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Deputado Jean Wyllys renunciou ao terceiro mandato como deputado por conta das ameaças de morte que vem sofrendo

A Câmara dos Deputados publicou nesta terça-feira (29) a renúncia do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) ao mandato para o qual foi eleito em outubro de 2018. No despacho junto ao ofício de Wyllys, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), determina a convocação do primeiro suplente da bancada do Psol do Rio de Janeiro e a inclusão de seu nome na lista dos parlamentares que tomam posse.

O suplente de Jean Wyllys é o vereador carioca David Miranda (Psol-RJ). A partir de hoje, a Câmara dos Deputados pode tomar as providências necessárias para que Miranda assuma o mandato a partir de sexta-feira (1°), na 56ª Legislatura. 

No ofício protocolado na segunda-feira (28), na presidência da Câmara, Willys informa, "em caráter irretratável", que não vai tomar posse em seu terceiro mandato consecutivo. O deputado anexou a carta apresentada ao seu partido, na última quinta-feira, na qual disse ao Psol que renunciaria ao mandato e não voltaria ao Brasil.

Na carta, o deputado afirma que vem sofrendo "ameaças de morte e pesada difamação", desde seu primeiro mandato, mas que isso se tornou mais intenso no ano passado. Segundo Wyllys, as ameaças se estenderam à sua família, incluindo mãe, irmãs e irmãos, bem como a seus amigos próximos. 

Tragetória de Jean Wyllys

Jean Wyllys atuou na defesa e na ampliação de direitos para a comunidade LGBT, para mulheres e para negros
Divulgação/PSOL na Câmara
Jean Wyllys atuou na defesa e na ampliação de direitos para a comunidade LGBT, para mulheres e para negros

O político, que se tornou um dos ícones na luta das minorias, ficou nacionalmente conhecido após participar do programa Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2005. Nascido em Alagoinhas, a 119 quilômetros de Salvador, na Bahia, Wyllys cursou comunicação social na Universidade Federal da Bahia e depois realizou mestrado em Letras, especializando-se em cultura brasileira e baiana.

O ganhador da 5ª edição do BBB se destacou como uma liderança de movimentos sociais. E, em 2010, o baiano elegeu-se deputado federal pelo Psol , no Rio de Janeiro.  Em 2014, foi reeleito com 144 mil votos. Ativista e polêmico, o parlamentar lutou pela ampliação de direitos LGBTs, negros e das mulheres e foi alvo de diversas representação na Comissão de Ética da Câmara.

Em sua atuação, defendeu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a regularização da profissão de prostituta e a implementação de espaços de vivência específicos para travestis e transexuais em presídios.

Wyllys é autor de projetos como o que cria a campanha de conscientização e enfrentamento ao assédio contra as mulheres. Na área da educação, o deputado apresentou proposta para que fossem "vedadas quaisquer formas de proselitismo e discriminação" no ensino religioso.Contra o projeto conhecido como “Escola Sem Partido”, o parlamentar apresentou o "Escola Livre".

O deputado também é o autor da proposta que tenta revogar a reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer (MDB). O projeto ainda tramita na Casa. Seus projetos de lei incluem também o tratamento de doenças raras pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a instituição de uma política nacional Griô, para proteção das tradições orais, e criação de uma Lei Empresa Ficha Limpa, que impeça empresas sob investigação criminal de participar de licitações públicas. 

Um dos projetos de autoria do deputado aprovado na Câmara instituiu a campanha nacional de prevenção ao HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis, conhecida por Dezembro Vermelho.

Leia também: Ameaçar parlamentar é "crime contra a democracia", diz Mourão sobre Wyllys

Na Câmara, Wyllys participou da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, da Comissão de Educação, da Comissão de Cultura e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, entre outras. Do mesmo partido da vereadora assassinada Marielle Franco, o parlamentar também foi coordenador da comissão que investiga o assassinato.

Entre as representações contra o deputado no Conselho de Ética da Câmera, a mais polêmica tratava sobre o episódio em que ele disparou uma cusparada contra o então deputado federal Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Jean Wyllys  recebeu uma advertência por conta do caso. 

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