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Ex-assessor de Dona Marisa na Presidência, Rogério Aurélio disse que acompanhou obras no sítio como "capataz", a mando da ex-primeira-dama

Sítio de Atibaia atribuído pela Lava Jato a Lula pertence oficialmente a Fernando Bittar, amigo da família do petista
Reprodução/Google Maps
Sítio de Atibaia atribuído pela Lava Jato a Lula pertence oficialmente a Fernando Bittar, amigo da família do petista

Rogério Aurélio, ex-assessor pessoal da Presidência durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), negou acusações da força-tarefa da Operação Lava Jato e pediu absolvição no caso do sítio de Atibaia (SP) .

Em alegações finais entregues à juíza Gabriela Hardt, de Curitiba, a defesa do ex-assessor disse que Aurélio atuou como "capataz" no acompanhamento das reformas no sítio atribuído ao ex-presidente Lula e acrescentou que, se houve algum crime em torno das obras no imóvel, a responsabilidade seria de "figurões".

"Se algum ilícito tivesse sido perpetrado no caso, a inocência do réu [Rogério Aurélio] restaria
patente ao se observar os figurões que ombreiam com aquele o banco dos réus", dizem os advogados do ex-assessor.

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Aurélio é apontado na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) como "auxiliar de confiança" do ex-presidente. Ele é acusado de ter praticado atos de lavagem de dinheiro para ocutar o custeio das reformas no sítio de Atibaia , pagas pelo pecuarista José Carlos Bumlai e ao grupo Odebrecht – ainda segundo a força-tarefa.

Em suas alegações finais, Rogério Aurélio diz que a acusação é "fantasiosa" e que ele era "apenas um serviçal, sem qualquer autonomia". A defesa destaca ainda que o réu acompanhou as reformas no sítio a mando da ex-primeira-dama Marisa Letícia, a quem ele era diretamente subordinado.

Dona Marisa é descrita na peça como uma "pessoa de personalidade forte", o que, segundo a defesa, "desencorajava" o então assessor a indagar sobre a propriedade do imóvel ou de onde vinham os recursos para custear a reforma. 

"Não existia a menor dúvida de que naquele sítio, cedido por um amigo da família do presidente que ele conhecia há anos, se instalaria, provisoriamente, parte do acervo privado do presidente da República, cujo cuidado era do órgão ao qual estava vinculado o réu, de modo que a adequação das instalações para tal não fugiam às atribuições dele à época", defende-se Rogério Aurélio.

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Os advogados destacam que o ex-assessor é "um pobre trabalhador que sobreviveu do suor de seu trabalho" e que, hoje aposentado, "mantém vida simples compatível com seus rendimentos". "O réu não participou da ocultação de patrimônio ou valor algum, apenas foi-lhe determinado funcionar como 'capataz' na reforma do famigerado sítio, ou seja, ver o andamento da obra e informar à primeira-dama."

As defesas de todos os réus, incluindo a de Lula , já entregaram suas alegações finais no caso do sítio de Atibaia. Agora, cabe à juíza Gabriela Hardt definir a sentença.

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