Tamanho do texto

Força-tarefa da Lava Jato diz que liminar do ministro do STF é equivocada, mas que confia que o plenário do Supremo reverta a decisão "monocrática"

Força-tarefa da Lava Jato criticou a decisão de Marco Aurélio Mello, chamado de uma milinar
Marcelo Camargo/ABr
Força-tarefa da Lava Jato criticou a decisão de Marco Aurélio Mello, chamado de uma milinar "monocrática" e "equivocada"








Em entrevista horas após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, nesta quarta-feira (19), que  permite que condenados em segunda instância deixem a prisão até terem seus casos em trânsito julgado, a Força-tarefa da Operação Lava Jato criticou a liminar que, segundo os procuradores, consagra a impunidade.

Leia também: Meio político se divide em defesa e ataque à decisão de Marco Aurélio Mello

Principal nome da Força-Tarefa , o procurador da República Deltan Dallagnol opinou que a decisão de Marco Aurélio foi "monocrática" e extremamente equivocada, já que pode gerar revolta à população que pede justiça e menos impunidade no Brasil.

"Nós entendemos que essa decisão viola o princípio da colegialidade e é completamente equivocada. (...). Ela contraria o sentimento da socideda que exige o fim da impunidade. Vai muito além do caso Lula, pode beneficiar vários condenados por corrupção nos últimos anos", expressou Deltan Dallagnol.

Ao entender que a decisão atende apenas a vontade de um ministro, os procuradores disseram que acreditam que o plenário do STF reverta a liminar e mesmo o presidente da Corte, Dias Toffoli, faça isso nos próximos dias.

"Nós estamos reiterando nossa confiança na instiuição que é o Supremo Tribunal Federal e confiamos que a Corte vai revogar essa decisão em tempo hábil. Nós temos conhecimento que a Procuradoria Geral da República está atuando de forma deligent e", disse Roberson Pozzobon.

O procurador Diogo Castor foi além. Ele defendeu que a decisão sobre a prisão em segunda instância foi discutida quatro vezes no plenário do Supremo e aprovada em todas as votações. Assim, um único ministro decidir pela soltura desses condenados é "monocrática" e "fere o colegiado".

A liminar pode beneficiar diversos presos pelo país, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , preso desde 7 de abril na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, no caso do triplex, após denúncias da Força-tarefa , Lula teve sua condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), segunda instância da Justiça Federal, com sede em Porto Alegre. A liminar de Marco Aurélio Mello , porém, pode permitir sua soltura.

    Leia tudo sobre: Lula