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Presidente eleito disse que interferiu na decisão para que o país não fosse sede do evento e citou plano "Triplo A"; Itamaraty anunciou decisão hoje

Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), recomendou que o Brasil não sediasse a Conferência do Clima
Reprodução/Flickr/Governo de Transição
Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), recomendou que o Brasil não sediasse a Conferência do Clima

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (28) que houve participação dele na decisão do Brasil de  não sediar a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019. Mais cedo, o Itamaraty havia emitido uma nota afirmando que a transição de governo e as restrições fiscais e orçamentárias não permitiram que o país sediasse o evento em novembro.

"Ao nosso futuro ministro, eu recomendei que se evitasse a realização desse evento aqui no Brasil. Até porque eu peço que vocês nos ajudem, está em jogo o 'triplo A' nesse acordo", afirmou Bolsonaro sobre a Conferência do Clima , em referência ao futuro chanceler Ernesto Araújo, que tem posicionamento crítico em relação às previsões de aquecimento global.

Segundo o presidente eleito, o Triplo A seria uma faixa que envolve a cordilheira dos Andes, a Amazônia e o oceano Atlântico. Para Bolsonaro, o Acordo de Paris colocaria em risco a soberania nacional dentro desse território. No entanto, não há menção ao chamado Triplo A no acordo.

"Não quero anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil. Além dos custos que seriam, no meu entender, bastante exagerado tendo em vista o déficit que nos já temos no momento", acrescentou Jair Bolsonaro .

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O orçamento para o evento foi definido pelo Ministério do Meio Ambiente em outubro, e tinha se chegado a conclusão de que havia verba para tanto. A reunião, entretanto, não teria levado em conta a transição de governo a partir de janeiro do ano que vem, o que pode gerar uma alteração no orçamento fiscal.

O Brasil confirmou a sua candidatura em 2017, durante a COP 23, e foi aprovado pela ONU deixando uma boa impressão. O país é visto como referência no combate aos gases que geram efeito estufa, sobretudo pelo combate ao desmatamento na Amazônia.

O anúncio do Brasil chega justamente a uma semana da COP 24, que vai acontecer na cidade de Katowice, na Polônia. O evento da ONU visa discutir políticas e medidas entre as nações para melhorar as condições do clima no planeta, trazendo propostas para a diminuição da emissão de gases que geram o efeito estufa.

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No relatório que publica em seu site antes da conferência, a ONU afirma que vai solicitar mais empenho dos países do G20, que se comprometeram no Acordo de Paris a triplicar os seus esforços na diminuição de emissão de gases até 2030. Como é tradição da Conferência do Clima acontecer em diferentes regiões alternadamente, a ONU espera que um outro país da América Latina ou do Caribe se candidate para sediar o evento de 2019.

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