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Presidente nacional do PT, senadora negou que o partido tenha alimentado ódio nas eleições deste ano e criticou o ex-candidato Ciro Gomes (PDT)

Presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o partido nunca disse que lideraria oposição
Reprodução/Wikipedia
Presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o partido nunca disse que lideraria oposição

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), respondeu a críticas à antiga hegemonia do partido e uma suposta tentativa da sigla de se colocar à frente das outras, como PDT e PSB, que já se mobilizaram para ser oposição ao futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). "Nós nunca dissemos que queríamos liderar a oposição", afirmou. 

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"Não sei de onde que surgiu essa ideia [de o PT comandar o bloco]", disse Gleisi Hoffmann , em entrevista ao UOL . "Nós do PT vamos fazer um esforço muito grande para estarmos junto com aqueles partidos e movimentos que vão se colocar contrários à regressão de direitos, aos ataques à democracia, à estimulação da violência. E não temos nenhuma pretensão de sermos hegemônicos ou coordenar processos" afirmou. 

Recentemente, lideranças do PSB, PDT e PCdoB têm se reunido para discutir como será a oposição ao futuro governo. Os líderes dos partidos já declararam que querem fazer contestações à administração de Bolsonaro sem "hegemonias". Já o PT só deve definir sua atuação no futuro governo a partir de 2019, em uma reunião marcada para os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Brasília.

Para Gleisi, a bancada do PT no Congresso , formada por 57 deputados e seis senadores, além dos milhões de votos obtidos por Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais, deixam o partido forte, tendo "um papel a desempenhar". 

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"Nunca, nem ele [Haddad], nem nós, nos colocamos ou colocamos a ele como líder da oposição. Nós queremos ajudar a construir essa oposição ", completa. Gleisi também afirmou que Haddad não deverá assumir nenhum cargo dentro do partido no momento, mas que seu capital político será explorado pelo PT para construir a oposição a Bolsonaro. 

"Acho que o papel do Haddad é exatamente esse, de conversar com os partidos, conversar com as pessoas, conversar com os movimentos, com os juristas, os artistas, com a sociedade civil organizada. Sentir como as coisas estão e ajudar nessa frente ampla de resistência e de defesa da democracia". A senadora, porém, não descartou a possibilidade de Haddad vir a assumir a presidência do PT.

Para a senadora, é importante, agora, o partido não sair como "odiado". Gleisi também fez críticas a Ciro Gomes (PDT), para ela, ele tem um "papel importante" na oposição, mas não deve liderar. "Qualquer um que pretenda ser líder tem que construir. A liderança é um processo de construção, não é de querer" disse. 

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Gleisi Hoffmann afirmou ainda que o PT não deve indicar candidatos para disputar a presidência da Câmara, mesmo com o apoio de outras siglas da esquerda, o partido não teria votos o suficiente para vencer a disputa.

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