Tamanho do texto

Em primeira reunião da cúpula do partido após derrota nas eleições, PT fala em combater aliança entre Bolsonaro e Temer; Gleisi equipara Haddad a Lula

Reunião do PT foi realizada no diretório do partido em São Paulo
PAULO PINTO
Reunião do PT foi realizada no diretório do partido em São Paulo

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad é hoje a "grande liderança" do Partido dos Trabalhadores (PT) e será o "articulador" de uma frente de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PSL). A afirmação em tom de anúncio foi feita pela presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), após a primeira reunião da Comissão Executiva Nacional do partido após a derrota de Haddad para Bolsonaro. A reunião do PT teve como objetivo avaliar o desempenho da legenda nas eleições de 2018 e foi realizada nesta terça-feira (30), em São Paulo.

Leia também: Bolsonaro tem hoje sua primeira reunião com aliados para definir transição

“O Fernando Haddad, no nosso entender, tem um papel muito relevante nesse processo. Um papel maior do que o PT porque ele sai depositário da esperança do povo e da luta pela democracia de diversos setores da sociedade”, disse Gleisi após a reunião do PT .

"O PT dará todas as condições para que Fernando Haddad possa exercer esse papel de articulador junto com outras lideranças sociais e de partidos políticos para consolidar essa frente de resistência”, acrescentou.  "O papel do Haddad, agora mais do que nunca, é de extrema relevância em todo o cenário nacional […] A defesa da liberdade do ex-presidente Lula também seguirá no centro da nossa luta."

A presidente nacional do PT  apontou como primeiro objetivo dessa "frente de resistência" o combate a uma "aliança" entre o presidente eleito, Bolsonaro, e o atual ocupante do Palácio do Planato, Michel Temer (MDB). 

Segundo Gleisi, a frente liderada por Haddad visará evitar a "retirada de direitos da população brasileira", especialmente em relação à reforma da Previdência.  “Já fizemos isso antes e faremos de novo porque consideramos que a reforma retira direitos do povo brasileiro. Ela não tem o apoio popular. A proposta não foi debatida pela população nem pelo Temer nem pelo Bolsonaro. Ela não está no programa de governo do candidato. Ela não foi levada a debate. Portanto não há legitimidade nem dele de Temer para aprovar uma reforma desta envergadura”, disse a senadora.

O PT anunciou ainda que pretende disponibilizar os advogados ligados ao partido para auxiliar pessoas que sofram perseguição ou agressões por motivação política.

“Vamos organizar todos os advogados do partido e todos aqueles que militam na área de direitos humanos, vamos fazer um convite a juízes pela democracia para que possamos ter a resposta pronta para denunciar violações aos direitos humanos e civis e também à liberdade de expressão”. [...] Nos preocupa muito a integridade física das pessoas pelos posicionamentos que tem o governo que foi eleito em relação a uma série de movimentos”, afirmou Gleisi.

Quanto à alegada violência manifesta por apoiadores do presidente eleito, a senadora petista reconheceu ainda temer pela vida do ex-presidente Lula, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.

“Nós nos preocupamos muito com isso. O último discurso do candidato eleito não tem a ver com os direitos das pessoas: ele disse que quer deixar Lula apodrecer na cadeia. Tememos até pela vida do ex-presidente. Ele tem que ter seu processo julgado de forma justa. Ninguém pode decidir o que fazer com ele antes do seu processo ser julgado de forma justa. É isto que vamos fortalecer em nossa luta."

Discuro pós-reunião do PT expande declarações dadas após derrota

Apesar de ter perdido a eleição presidencial, o PT nas eleições de 2018 conquistou a maior bancada da Câmara
Lula Marques/Agência PT
Apesar de ter perdido a eleição presidencial, o PT nas eleições de 2018 conquistou a maior bancada da Câmara

A reunião desta terça-feira foi a primeira realizada pela cúpula petista após o processo eleitoral, que, se não resultou no retorno do PT à Presidência, foi suficiente para fazer do partido aquele que elegeu o maior número de governadores no País (quatro) e detentor da maior bancada na Câmara dos Deputados (56). 

O discurso de Gleisi após o encontro expande o que a própria presidente nacional do PT havia dito tão logo a Justiça Eleitoral anunciou a vitória de Haddad. Em vídeo divulgado no domingo (28), a senadora afirmou ser necessário “erguer a cabeça” e manter a luta.

“Uma derrota eleitoral não pode significar a derrota da Constituição e democracia brasileira”, disse. “[Temos de] erguer a cabeça e lutar porque essa é a nossa trincheira”, continou.

Leia também: Governadores eleitos redefinem mapa do Brasil; veja quem são e quais os partidos

Por sua vez, o candidato derrotado Fernando Haddad afirmou, também nas redes sociais, ontem (29), que estava à disposição do País. Ele também pediu que as pessoas não tenham medo.

"Eu coloco a minha vida à disposição deste País. Não tenham medo, nós estaremos aqui. Nós estamos juntos. Nós estaremos de mãos dadas com vocês", disse. "Coragem, a vida é feita de coragem", afirmou. Também ontem, o candidato do PT felicitou o seu adversário, contrapondo as informações de que ele não o faria.

"Presidente Jair Bolsonaro, desejo-lhe sucesso. Nosso País merece o melhor. Escrevo essa mensagem hoje [ontem], de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte”, publicou. 

Leia também: Transição para novo governo buscará evitar descontinuidade, diz Temer

Em entrevista à Rede Record nessa segunda-feira, Bolsonaro se disse disposto a dialogar com os candidatos derrotados nas últimas eleições. Porém, não se referiu a Fernando Haddad e nem comentou a reunião do PT nesta terça-feira. 

* Com informações da Agência Brasil.