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Total de recursos suspeitos na prestação de contas é de R$ 53 milhões; muitos por doações de empresas proibido pela primeira vez em 2018. Veja

Os orgãos de inteligência da Justiça Eleitoral identificaram mais de 25 indícios de irregularidades na prestação de contas dos candidatos
Elza Fiúza/ABr
Os orgãos de inteligência da Justiça Eleitoral identificaram mais de 25 indícios de irregularidades na prestação de contas dos candidatos

Técnicos do Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral identificaram, até o fim de outubro, 25.064 indícios de irregularidades na prestação de contas de campanha dos candidatos as eleições 2018. A suspeita é de doação de empresas a candidatos a senador, deputado, governador e presidente, o que é proibido por lei. 

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O núcleo de inteligência envolve especialistas de diversos orgãos de organização, incluindo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério Público Federal (MPF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e a Polícia Federal. O total de recursos suspeitos na prestação de contas é de R$ 53,7 milhões. 

Os técnicos destes orgãos vão avaliar se houve fraudes e, se confirmadas, doadores e políticos podem sofrer punições como multa, suspensão de repasses de recursos públicos e até cassação do mandato. Ainda não foram divulgados os nomes dos candidatos que possuem problemas na prestação de contas à Justiça Eleitoral

A expectativa é que o número de irregularidades aumente pois, das 28.070 prestações de contas aguardadas, foram entregues apenas 19.255, portanto, 31,4% não entregaram. Além disso, depois do fim de outubro, muitos candidatos apresentaram novas informações sobre gastos e arrecadação. 

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Entre os indícios mais comuns estão o de funcionários de empresas, quando doações de funcionários para um candidato são uma forma de burlar a proibição de financiamento por parte de empresas. Também há casos de empresas que prestaram serviços para a campanha e cujos donos são parentes do candidato, o que é considerado suspeito.

Há ainda situações em que o doador já havia falecido, segundo registro de óbito, e de empresas criadas em 2015, com sócios filiados a partidos políticos. Além disso, também foram registradas doações de cidadãos cadastrados no sistema do Bolsa Família e incompatíveis com a renda declarada. 

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Toda a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral pelos partidos e candidatos é disponibilizada no site do TSE para consulta pública.

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