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Futuro ministro da Justiça afirmou que não descumpriu a promessa de não entrar para a política e que seu novo cargo é "predominantemente técnico"

Entrada de Moro na política provocou questionamentos sobre promessa feita em entrevista
Reprodução
Entrada de Moro na política provocou questionamentos sobre promessa feita em entrevista

O juiz federal Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), declarou que jamais irá disputar uma eleição. Durante palestra concedida nessa segunda-feira (5) em Curitiba, o juiz disse ainda que não se vê ainda como político e que seu cargo é "predominantemente técnico". Com Moro na política, ele é afastado do cargo na magistratura. 

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Após a estreia de  Moro na política , houve questionamentos sobre entrevista ao jornal O Estado de São Paulo na qual prometeu que nunca entraria na área. Na palestra, Moro ressaltou que não descumpriu sua promessa. "Mantenho válida a promessa que fiz anos atrás de que jamais entraria na política. Não pretendo jamais disputar qualquer espécie de cargo eletivo" afirmou. 

Ainda assim, reconheceu que isso "envolve certa política, conversar com as pessoas, buscar convencer os parlamentares a aprovar medidas legislativas" que se mostrarem oportunas. "Sempre com ouvido aberto ao diálogo", disse o juiz. 

O juiz disse ainda que o cargo de ministro é predominantemente "técnico" e que trabalhará com aquilo que conhece, a Justiça. "Eu, aqui, faço uma respeitosa divergência, não me vejo ingressando na política, ainda como um político verdadeiro. Para mim, é um ingresso num cargo que é predominantemente técnico". 

T ambém disse que aceitou a proposta de Bolsonaro porque percebeu uma série de receios "infundados" em relação ao governo do presidente eleito, e que acredita que pode colaborar para tranquilizar essas dúvidas. 

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“Eu sou um homem da lei. Também achei que minha participação poderia contribuir para afastar esses receios infundados”, afirmou.  O juiz também ressaltou que não acredita que Bolsonaro fará um governo autoritário.

Moro disse sair do cargo na magistratura, que ocupa há 22 anos, com certo "pesar", mas que aceitou o cargo no ministério porque considera que poderá combater a corrupção e o crime organizado. Disse ainda que já está preparando projetos sobre essas pautas para encaminhar ao Legislativo em janeiro. 

Segundo o magistrado, a decisão de ocupar um cargo no Executivo também foi por conta da Operação Lava Jato. “Não ficar esperando o dia em que a boa sorte da Operação Lava Jato e do juiz Moro iria acabar. Não ficar mais correndo atrás de possíveis retrocessos. Não ficar mais na expectativa de que o fim desse bom trabalho havia chegado ao fim [...]. Nós podemos, ao invés de ter o retrocesso, avançar”, declarou. 

O futuro ministro da Justiça era responsável pelas decisões em primeira instância da Operação Lava Jato. Mas agora, com Moro na política , ele sairá de férias a partir desta terça (6) por 17 dias e pedirá a exoneração da magistratura em janeiro. 

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*Com informações da ANSA


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