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Juiz federal é cogitado para o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro; magistrado disse que ficou "honrado" e admitiu que poderia aceitar o convite

Reunião de Moro e Bolsonaro vai formalizar qualquer convite que o presidente eleito tiver para fazer ao magistrado
Agência Brasil - 01.12.2016
Reunião de Moro e Bolsonaro vai formalizar qualquer convite que o presidente eleito tiver para fazer ao magistrado

O juiz federal Sergio Moro vai se reunir, nesta quinta-feira (1º), com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O encontro deve ser pautado no anúncio não-oficial, feito por Bolsonaro, na última segunda-feira (30), de que o magistrado seria convidado para  assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. A reunião de Moro e Bolsonaro acontecerá no Rio de Janeiro. 

Outro convite que deve ser citado na reunião de Moro e Bolsonaro é a sugestão do presidente eleito de indicar Moro para assumir um cargo no Supremo Tribunal Federal (STF), quando uma vaga for aberta na Corte. Em nota divulgada nesta terça-feira (30), o juiz federal responsável pelo andamento da Operação Lava Jato, nos casos de primeira instância, afirmou que poderia aceitar os convites de Bolsonaro, caso sejam realmente feitos.

“Sobre a menção pública pelo sr. presidente eleito ao meu nome para compor o Supremo Tribunal Federal quando houver vaga ou para ser indicado para Ministro da Justiça em sua gestão, apenas tenho a dizer publicamente que fico honrado com a lembrança. Caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão”, disse Sérgio Moro, em nota.

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Para o jornal O Estado de S. Paulo , o juiz afirmou que “tudo depende de conversar para ver se há convergências importantes e divergências irrelevantes”, entre ele e Bolsonaro. Nesta terça-feira, o grupo mais próximo de Bolsoanro anunciou o formato do Ministério da Justiça durante o futuro governo.

Responsável por grande parte das ações da Lava Jato, Moro ganhou notoriedade ao mandar prender políticos e empresários importantes supostamente envolvidos com os mal feitos na Petrobrás.  

Curiosamente, o juiz curitibano teve papel destacado no processo eleitoral de 2018, o que lhe valeu inclusive um pedido de explicações por parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Isso porque na primeira semana de outubro, há poucos dias do primeiro turno das eleições, o juiz da Lava Jato mandou divulgar trechos da delação premiada de Antonio Palocci, que ocupou cargos no primeiro escalão de gestões petistas. Na época, membros do Partido dos Trabalhadores acusaram o juiz de tentativa de interferência no resultado das eleições, o que ele nega.

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Pauta da reunião de Moro e Bolsonaro , o lugar vago no STF virá durante o governo Bolsonaro. Afinal, o decano Celso de Mello deve sair da Corte em novembro de 2020. Além dessa oportunidade, Bolsonaro pode chamar Moro para ocupar uma das cadeiras em julho de 2012, quando Marco Aurélio Mello sairá do STF.