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Sergio Moro é cogitado para o ministério da Justiça de Bolsonaro; em outubro, o juiz de Curitiba foi questionado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça por suposta interferência no processo eleitoral

O juiz Sergio Moro se disse honrado com o possível convite de Jair Bolsonaro (PLS) para ocupar o ministério da Justiça
Sylvio Sirangelo/TRF4 - 10.8.15
O juiz Sergio Moro se disse honrado com o possível convite de Jair Bolsonaro (PLS) para ocupar o ministério da Justiça

Cogitado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), como possível candidato ao ministério da Justiça em 2019, o juiz federal de primeira instância Sergio Moro se disse "honrado" com a possibilidade do convite. Caso a proposta se formalize, afirmou o juiz, "será objeto de ponderada discussão e reflexão".

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Responsável por grande parte das ações da operação Lava Jato, o juiz ganhou notoriedade ao mandar prender políticos e empresários importantes supostamente envolvidos com os mal feitos na Petrobrás.  Moro, que se disse honrado com o convite de Jair Bolsonaro, teve o nome ventilado como possível ocupante do ministério da Justiça. Jair Bolsonaro afirmou, também, que quando surgir uma vaga para o Supremo Tribunal Federal, o juiz é uma das possibilidades na mesa.

"Pretendo conversar previamente com ele. Com toda certeza será uma pessoa de extrema importância [em meu governo]", disse Jair Bolsonaro.

Moro, em um primeiro momento, disse que não comentaria o possível convite. Só em seguida afirmou que, caso a proposta se efetive, pensará no caso.

"Sobre a menção pública pelo Sr. Presidente eleito ao meu nome para compor o Supremo Tribunal Federal quando houver vaga ou para ser indicado para Ministro da Justiça em sua gestão, apenas tenho a dizer publicamente que fico honrado com a lembrança. Caso efetivado oportunamente o convite, sera objeto de ponderada discussão e reflexão", informou, em nota à imprensa.

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Curiosamente, o juiz curitibano teve papel destacado no processo eleitoral de 2018, o que lhe valeu inclusive um pedido de explicações por parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Isso porque na primeira semana de outubro, há poucos dias do primeiro turno das eleições, o juiz da Lava Jato mandou divulgar trechos da delação premiada de Antônio Pallocci, que ocupou cargos no primeiro escalão de gestões petistas. Na época, membros do Partido dos Trabalhadores acusaram o juiz de tentativa de interferência no resultado das eleições, o que ele nega.

Após o primeiro turno das eleições, também a mulher de Sergio Moro,  Rosângela Wolff Moro, expressou apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. "Não tenho medo da mudança", disse, à época. Moro, que se disse honrado com o convite de Bolsonaro, saberá nos próximos meses se o convite se efetivará de fato. 

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