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"É difícil imaginar que alguma mudança venha daí", disse o candidato do Novo; partido repreendeu filiado que sinalizou apoio a Bolsonaro

Amoêdo critica Bolsonaro:
Rovena Rosa/Agência Brasil
Amoêdo critica Bolsonaro: "nunca contribuiu para nada em duas décadas"

Em meio à especulações sobre possíveis alianças em um segundo turno da eleição presidencial, o candidato à presidência pelo Partido Novo, o empresário João Amoêdo criticou, nesta quarta-feira (3) seu adversário Jair Bolsoanro (PSL). Amoêdo critica Bolsonaro sobretudo por sua atuação na Câmara dos Deputados, onde, na avaliação do empresário, o ex-capitão do Exército "nunca contribuiu para nada".

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"Ele nunca contribuiu para nada em duas décadas de atividade parlamentar", disse. "É difícil imaginar que alguma mudança venha daí, e por isso sou muito cético sobre seu discurso". Crítico do governo Dilma Rousseff, Amoêdo critica Bolsonaro em um momento em que militantes do Novo cogitam se apoiam ou não o militar reformado já no primeiro turno.

O partido Novo sinaliza, no entanto, que o apoio pode não se concretizar. Romeu Zema, candidato pela legenda ao governo de Minas Gerais, comparou Bolsonaro à Amoêdo. Ele pediu votos ao capitão em suas considerações finais no debate de terça (3), o que lhe rendeu repreensões dentro do partido. Zama foi acusado de "violar o estatuto" do partido e incorrer em  "infidelidade partidária".

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"O artigo 16, parágrafo único, do estatuto do Novo considera que 'nas situações equívocas de campanha, em que possa parecer existir aliança ou atuação conjunta com candidato de outro partido fora das hipóteses de coligação oficial, o candidato do Novo deverá pronunciar-se clara e abertamente contra a existência de aliança", diz um comunicado interno do partido.

Critico à Bolsonaro, Amoêdo também não poupou o PT de críticas. "O PT não reconhece seus erros e não merece crédito", afirmou. "Há incoerência no fato de ele ainda ser visto por tantos eleitores como uma perspectiva", avaliou o empresário.

Ele pediu aos eleitores, por fim, que não desistam de sua candidatura em nome de um "voto útil". "Uma definição no primeiro turno tiraria do eleitor a chance de fazer uma escolha consciente e debater melhor as propostas dos candidatos", afirmou. "No segundo turno, espero que o partido discuta ideias e princípios antes de decidir o que fazer". Amoêdo critica Bolsonaro há quatro dias das eleições, que acontecem no domingo, 7 de outubro.

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