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O auditor Eduardo Cerqueira Leite e o empresário Mário Pagnozzi são considerados, por investigadores, como as "cabeças" em esquema de desvios

Realizada pela Polícia Federal, a Operação Zelotes investiga desvios no Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda
Hélvio Romero/Estadão Conteúdo - 9.5.16
Realizada pela Polícia Federal, a Operação Zelotes investiga desvios no Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda

O auditor da Receita Federal em São Paulo Eduardo Cerqueira Leite foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (26), em nova fase da Operação Zelotes, realizada pela Polícia Federal. O empresário Mario Pagnozzi também foi detido na capital paulista, segundo informações da “Globo News”.

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Tanto o auditor quanto o empresário se tornaram réus na última segunda-feira (24), quando a Justiça Federal de Brasília aceitou a denúncia feita pelos investigadores da Operação Zelotes do Ministério Público Federal. Os dois são considerados as “cabeças” do esquema investigado nessa nova fase da Operação Zelotes .

Na segunda, 11 pessoas foram acusadas de fraudes em julgamentos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), envolvendo o Bank Boston. Com decisão proferida pelo juiz Vallisney Oliveira, servidores públicos, advogados, lobistas e um ex-diretor de banco passaram à condição de réu.

De acordo com o MPF, o esquema envolveu pagamento de propina para cancelar ou reduzir multas aplicadas ao Bank Boston, que foi vendido ao Itaú em 2006.

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Além de pedir a condenação dos acusados pelos crimes de corrupção, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, os procuradores do MPF também solicitaram o pagamento de indenização de R$ 100 milhões por danos morais coletivos em razão das supostas fraudes.

Entenda o esquema

De acordo com as investigações, em troca do benefício milionário, a empresa pagou vantagens indevidas em forma de propina aos integrantes do esquema. Esses pagamentos foram feitos por meio da contratação da empresa Pagnozzi & Associados Consultoria Empresarial, sob o pretexto de que o escritório faria a defesa administrativa do banco.

As investigações revelaram, contudo, que o escritório fez várias subcontratações, o que permitiu que o dinheiro chegasse aos demais integrantes do esquema. Documentos apreendidos por ordem judicial mostram que, em sete anos, a empresa de Pagnozzi recebeu R$ 44,9 milhões de um único cliente: o Bank Boston.

O valor é mais da metade de todo o faturamento registrado em todo o período pelo escritório, que foi de R$ 82 milhões. Já a movimentação financeira registrada na conta pessoal de Pagnozzi saltou de R$ 2,3 milhões em 2006 para R$ 96,9 milhões em 2013. 

De acordo com a ação penal, os dez envolvidos praticaram os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, e apropriação de dinheiro de instituição financeira.

Zelotes

Deflagrada pela Polícia Federal em 2015, a Operação Zelotes investiga desvios no Carf , órgão ligado ao Ministério da Fazenda que é a última instância administrativa de recurso contra cobranças tributárias.

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Os novos réus da Operação Zelotes na Justiça são Alexandre Hércules, Eduardo Cerqueira Leite, José Ricardo Silva, José Teruji Tamazato, Leonardo Mussi, Manoela de Almeida, Mário Pagnozzi, Norberto Campos, Paulo Cortez, Valmir Sandri  e Walcris Rosito.

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