O pintor William Oliveira Fonseca, preso nesta sexta-feira
Divulgação - 12.06.2022
O pintor William Oliveira Fonseca, preso nesta sexta-feira

Em depoimento realizado na sede da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), William Oliveira Fonseca, comparsa do pintor Jonatan Correia da Silva , confirmou que degolou Martha Maria Lopes Pontes, 77 anos, e sua diarista, Alice Fernandes da Silva, 51, na última quinta-feira, no Flamengo. A ordem para matá-las, segundo William, teria partido de Jonatan, após ele ter conseguido descontar no banco os cheques assinados pela idosa. A versão contradiz o depoimento do pintor que afirmou, em sede policial, ter sido uma decisão isolada de William os assassinatos, enquanto ele estava ausente.

De acordo com o relato de William, ao qual O DIA teve acesso, ele diz que trabalhava vendendo mercadorias em sinais de trânsito, mesmo sabendo possuir um mandado de prisão pendente por um roubo, ocorrido em 2013. Pai de dois filhos, de 7 e 11 anos, em Acari passou a ter o apelido de 'Pé de pano', por ter ficado muito tempo com o pé enfaixado. Sua aproximação com Jonathan ocorreu no último ano.

Na semana passada, dois dias antes do crime, o pintor o procurou, e disse que "conhecia uma mulher que tinha dinheiro em casa", tendo o chamado para praticar o roubo. O pintor também informou que a vítima morava sozinha e que era idosa, e que já tinha prestado serviço em seu apartamento juntamente com seu pai. William afirmou, ainda, que "o pai de Jonatan é trabalhador, e sabe dizer que ambos trabalharam no condomínio em que se situa o apartamento em que as vítimas foram mortas", diz trecho do documento.

Dia do crime: ligaram dizendo que queria entregar currículo

William conta que, após pegaram um metrô de Acari para o Flamengo, Jonatan realizou uma ligação para a diarista, e disse que iria entregar um currículo. O policial que escutou William, escreveu que ele contou: "Diz que Jonatan, quando já estava no Flamengo, efetuou uma ligação, tendo falado com a diarista da residência que queria entregar um currículo, para que ela lhe auxiliasse a arrumar um emprego; que não sabe dizer se ele efetuou a ligação para o telefone fixo da residência da vítima Martha, ou se ligou para o celular da diarista; que, tão logo chegaram ao prédio, Jonatan se aproximou e falou com o porteiro, o qual já conhecia, tendo este interfonado para o apartamento da vítima, liberando a entrada dos dois. Que afirma que somente o declarante e Jonatan estavam envolvidos na prática criminosa, negando qualquer participação de outra pessoa, funcionário do local", diz trecho.

Faca utilizada no crime estava no apartamento

Após terem a subida liberada ao imóvel, William relata que a diarista foi a primeira a ser imobilizada; em seguida, a idosa. "Jonatan levou uma mochila, dentro da qual havia fita adesiva, já com o objetivo de amordaçar as vítimas, e também alguns lacres, que foram utilizados como algemas; que afirma que não levaram faca, sendo utilizada a que já existia no imóvel; que entraram no apartamento, renderam inicialmente a diarista, sendo que a senhora idosa estava sentada no computador; que nega agressão às vítimas neste momento; que era Jonatan quem verbalizava com as vítimas, e dizia que era para elas ficarem tranquilas, pois só queriam o dinheiro", diz outro trecho.

William relembrou que "ambas as vítimas clamavam para que Jonatan não fizesse aquilo, alegando que já o tinham ajudado, e que ele era trabalhador". Mas, mesmo assim, eles amarraram as pernas das vítimas com fita adesiva, colocaram os lacres em seus braços e também as amordaçaram, para que não gritassem.

Durante o assalto, as duas permaneceram juntas, imobilizadas, no corredor. Nesse momento, Jonatan passou a revirar o apartamento "buscando dinheiro e outros bens de valor; que Jonatan não encontrou dinheiro, tendo separado alguns relógios, cordões dourados, anéis, que foram posteriormente levados pela dupla; que não encontrou dinheiro".

Ao não encontrar dinheiro no apartamento, William contou que Jonatan passou a exigir que a vítima Martha preenchesse cheques, "pois ele já sabia que ela costumava pagar dessa forma; que soltaram a mão de Martha e obrigaram que ela preenchesse os cheques, acreditando o declarante que foram três ou quatro cheques preenchidos; que, antes de Jonatan descer para descontar os cheques, ele disse para Martha que, caso alguém do banco ligasse, que era para ela autorizar a transação bancária, 'que era para ela não falar besteira'". Jonatan, então, saiu com os cheques, e passou a relatar, por telefone, o que ocorria, como a movimentação bancária.

Jonatan conta que sacou R$ 5mil, três vezes menos do valor retirado

Ao retornar ao apartamento, Jonatan contou a William que conseguiu descontar R$ 5 mil. Na delegacia, enquanto ele prestava depoimento, foi informado que  os saques totalizaram R$ 15 mil.

William continuou o relato aos policiais. Ele disse que, quando Jonatan retornou, ambas as vítimas ainda estavam amarradas e amordaçadas no corredor, no mesmo local. Nesse momento, ele disse "que era melhor matar as vítimas, pois senão elas poderiam reconhecê-lo, já que ele já havia prestado diversos serviços no prédio, sendo o pai de Jonatan também pessoa conhecida no local".

O comparsa também contou que Jonatan, desde o momento em que tinham entrado no apartamento, já havia pego uma faca toda vermelha (cabo e lâmina), tendo a faca ficado com o declarante quando Jonatan fora ao banco.

Momento dos assassinatos

William relatou que, após Jonatan afirmar que poderia ser reconhecido e que seria melhor matá-las, eles resolveram separar as vítimas, colocando Martha em um dos quartos do apartamento, e a diarista no banheiro.

No banheiro, William contou que cortou o pescoço da diarista; no quarto, o de Martha. "Que diz que forçou o pescoço com a faca, em movimento de serra, até que a vítima desfalecesse por completo. Que nesse momento, Jonatan já estava no interior do quarto, com a vítima idosa; que chegou no quarto e fez o mesmo, cortando o pescoço da vítima Martha". Ele afirmou que enquanto executava Martha, Jonatan já estava com a garrafa de álcool na mão, e jogou o líquido no quarto.

Ao saírem do quarto, notaram que Alice não estava no banheiro, ou seja, ela sobreviveu ao corte no pescoço. Nesse momento, William disse que a encontrou se arrastando no corredor e desferiu várias facadas, que a imobilizaram.

Eles deixaram o apartamento, então, levando alguns pertences, "dentre eles as joias já citadas (alguns cordões, anéis e relógios) e dois ou três celulares, que ficaram com Jonatan".

Após chegarem em Acari, eles dividiram os pertences e o dinheiro — sendo que William ficou com R$ 2.500. Ao saber da repercussão do caso, ele disse que jogou as joias fora. No dia seguinte ao crime, ao notar uma operação policial, ele fugiu de Acari, se refugiando na casa do irmão, no Engenho Novo.

Sua mãe, após saber do crime pela polícia, foi até a casa onde ele estava e o convenceu a se entregar. A prisão de William ocorreu na manhã de sábado, após ele se entregar na 21ªDP (Bonsucesso). A Justiça converteu a prisão de Jonatan, detido um dia após o crime, em preventiva ; já a audiência de custódia de William ocorrerá nesta segunda-feira.

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