Viviane dos Santos:
Agência O Globo
Viviane dos Santos: "ensinei meus filhos a serem corretos"

Uma semana após a morte do filho, o lutador Vítor Reis de Amorim, de 19 anos, atingido durante um patrulhamento da Polícia Militar, no bairro Patronato, em São Gonçalo , a empregada doméstica Viviane dos Santos Reis, 48 anos, conta que “não tem forças para seguir” e que “não voltou mais ao local onde o filho foi morto”. Horas antes da reconstituição, ela recebeu à reportagem em sua casa, uma residência simples, que fica a poucos metros de onde o rapaz foi assassinado. Um policial militar do 7º BPM (São Gonçalo) é investigado pela morte .

"Hoje fez sete dias da morte do meu filho, e a cada dia que passa tem sido mais difícil. Não consigo mais passar lá. Mas não sei mais o que fazer", desabafa Viviane.

A empregada doméstica sempre negou que o filho fosse bandido. Ela afirma que não sabe se participará da reconstituição.

Os peritos querem saber se houve confrontos entre policiais e bandidos e quem atirou em Vítor. O PM do 7º BPM apontado como o autor do tiro que matou o jovem, que lutava boxe e muay thai, confirmou que fez disparos. A Polícia Civil já sabe que o rapaz foi morto pelas costas.

"Eu sempre ensinei meus filhos a serem corretos, respeitarem todos e ele não era bandido", contou Viviane, que completou: "Se eles tivessem socorrido o meu filho ele talvez estaria vivo."

Ela lembra que a virada do ano foi de muita tristeza e de dor.

"(O) Final de ano foi de muita tristeza para a gente. Ele era a minha alegria. Tenho seis filhos que moram em outros locais e ele era agarrado comigo. Ele falava que nunca me largaria."

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Assim como Viviane, o autônomo Vanelci Ferreira Amorim, de 58 anos, lembra que “terá que conviver com a morte do filho para sempre”. Ele não participará da reconstituição.

"Eu pensei que com o tempo iria melhorar, mas está piorando. Eu vou ter que conviver com essa dor para o resto da vida. Eu não vou ir lá para ver um boneco representando o meu filho", destacou.

O autônomo, que denúncia que a PM matou o filho, informou que foi convidado para prestar depoimento na Corregedoria Interna da corporação. No entanto, destacou que não vai.

"No dia do enterro do meu filho, a Polícia Militar me fez um convite para ir na Corregedoria Interna, em Niterói. É para ir no dia 6. Óbvio que não vou. Já a Polícia Civil, eles me ligaram para eu ir lá prestar depoimento. Não tive condições. No dia 7, vou à Comissão de Direitos Humanos na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Eu vou lá porque eu não quero dinheiro, quero que o meu filho não seja identificado como bandido", conta Vanelci.

O autônomo conta que descobriu o sonho do filho após a morte dele.

"Eu vim saber que o desejo do meu filho era nos tirar do morro. Soube disso nessa semana. Aquilo foi uma porrada em mim. Ele não lutava para ele. Ele lutava para mim e para a mãe. Só vou colocar na justiça para que o estado pague e reconheça o erro dele. Não quero brigar com Estado: só quero que o meu filho não fique como bandido."

E ele completa: "Se o estado pagar alguma indenização, vamos doar para a escola que ele treinava. Eu não quero esse dinheiro porque eu sempre vou lembrar do meu filho. Até porque eu tinha certeza que o meu filho iria conseguir vencer na vida, porque ele era focado."

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