duas pessoas sorrindo
Reprodução/Facebook
Ana Flávia e Carina Ramos são suspeitas de matar família e queimar os corpos das vítimas

Desde a prisão, no último dia 29 de janeiro, até a confissão de que planejaram um roubo à casa da família, Ana Flávia Gonçalves e Carina Ramos já adotaram quatro versões diferentes. Inicialmente, negaram qualquer relação com o crime. Na noite desta quarta-feira (5), as duas admitiram que planejaram um assalto à casa dos pais de Ana Flávia em busca de dinheiro que supunham estar no local.

A versão é completamente diferente do primeiro depoimento prestado ao delegado Ronald Quene, que preside o inquérito no Centro de Operações Integradas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Um dia após o carro ser encontrado queimado com três corpos dentro, dois deles no porta-malas, elas sugeriram que Romuyuki Gonçalves, o pai, tinha uma dívida com agiota.

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Primeira versão: um agiota

Foi exatamente o primeiro depoimento das duas suspeitas que levou ao pedido e decretação de prisão temporária de Ana Flávia e Carina. Algumas contradições no depoimento chamaram a atenção dos policiais. Elas contaram que o pai tinha deixado a casa com o filho para pagar uma parcela de um suposto agiota.

As declarações, contudo, não faziam sentido com as imagens das câmeras de segurança, que indicaram a movimentação constante do carro das duas no condomínio na noite e na madrugada do crime, e a entrada do pai no condomínio às 19h56, seguido pelo carro de Ana Flávia.

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A perícia inicial na casa da família também encontrou o imóvel trancado, os pertences revirados e alguns objetos removidos. Dentro da casa, a preparação do jantar interrompido e manchas de sangue também chamaram a atenção dos policiais.

Segunda versão: o primo

Na sexta-feira (31), a namorada de Ana Flávia, Carina, afirmou que foi procurada pelo seu primo, Juliano. Ele estaria interessado em saber sobre a vida financeira dos pais de Ana Flávia. Carina, no entanto, negou que tivesse participado do planejamento do crime.

Apesar de ser tomado com ressalvas, o depoimento ajudou a polícia a identificar e prender Juliano na última segunda-feira. No seu depoimento, o primo afirmou que não apenas Carina foi a mentora do crime, como também foi a responsável por ordenar a morte do casal após o grupo não encontrar o dinheiro em um cofre que estaria dentro da casa.

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Em seu depoimento, Juliano afirmou que Carina ainda teria sido a responsável por executar Flaviana, a mãe da família, na Estrada do Montanhão, onde o carro foi encontrado em chamas.

O depoimento de Juliano foi corroborado pelo interrogatório de outro suspeito preso logo depois, Guilherme.

Tereceiro depoimento: silêncio

No mesmo dia da prisão de Juliano, Carina e Ana Flávia foram novamente convocadas a depor à polícia. Dessa vez, no entanto, ficaram em silêncio.

Os advogados afirmaram que pediram para que elas apenas falassem em juízo, ou seja, após o processo.

Quarta versão: confissão

A estratégia mudou na manhã desta quarta-feira (5). Em entrevista coletiva no dia anterior, a polícia anunciou que, com os depoimentos de Juliano e Guilherme, além do depoimento inicial da própria Carina, já considerava o caso praticamente esclarecido.

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Os três advogados que estão defendendo as duas suspeitas se reuniram com elas na carceragem do 7° Distrito Policial, em São Bernardo. Nessa reunião, as duas decidiram confessar que planejaram o roubo. Contudo, negaram que ordenaram a morte da família, atribuindo a decisão aos outros três suspeitos de terem participado do roubo: Juliano, Guilherme e Michael.

As execuções do crime no ABC teriam ocorrido após uma agressão de um deles a Ana Flávia e a uma discussão entre os cinco.

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