duas mulheres sorrindo
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Ana Flávia Gonçalves, 24 anos (à esq.) e Carina Ramos, 31, foram presas na quarta-feira (29)

Em novo depoimento à polícia, que terminou na noite desta quarta-feira (5), Ana Flávia Gonçalves, de 24 anos, confessou ter planejado o assalto à casa de seus pais. A namorada dela, Carina Ramos, também admitiu ter participado do plano. As duas, que nos últimos dias vinham sustentando a tese de que a família havia sido assaltada ao mesmo tempo em que elas eram rendidas por bandidos, assumiram o crime depois que Juliano Ramos, primo de Carina, foi preso e contou que as duas organizaram o falso assalto. Sem dar muitos detalhes, os advogados das duas disseram que elas “apenas participaram do planejamento do assalto”.

Os pais de Ana Flávia, Romutuki e Flaviana, e o irmão dela, Juan Victor, foram mortos e depois tiveram os corpos carbonizados dentro de um carro abandonado numa estrada de terra em São Bernardo do Campo.

O advogado Sebastião Siqueira, disse que as duas negaram ter autorizado os criminosos a matar toda a família: “A gente só vai falar isso, que elas confessaram ter planejado o roubo. Nós conversamos com elas mais cedo, e definimos isso”, disse o advogado.

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No depoimento, Ana Flávia e Carina admitiram que entraram no apartamento da família fingindo terem sido rendidas por Juliano e outros dois rapazes. O falso roubo teria sido planejado dois dias antes do crime.

Havia expectativa hoje de uma acareação entre Ana Flavia, Carina, Juliano e os outros dois comparsas, o que só deve acontecer nos próximos dias.

Nesta quarta-feira, a polícia prendeu um homem suspeito de ser o responsável por indicar o local onde a família morta em São Bernardo do Campo deveria ser carbonizada, numa estrada de terra em São Bernardo do Campo. Esta mesma pessoa, segundo versão da polícia, teria também buscado os criminosos depois que eles tocaram fogo no carro onde estavam os corpos. O rapaz seria amigo de Juliano.

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Até às 22h, no entanto, não havia confirmação se o rapaz levado à delegacia era ou não o sexto envolvido no caso, que teve prisão decretada à tarde pela Justiça de São Bernardo do Campo , onde o inquérito corre sob segredo de Justiça.

Os policiais chegaram à noite na delegacia com um rapaz acompanhado da mãe e da namorada. Na casa onde foi detido, na mesma rua onde mora Juliano, Carina e Ana Flávia — em uma favela no Jardim Santo André — , teria sido encontrado parte do material roubado na residência da família morta, como joias, uma TV e jogos de videogame.

A polícia também levou para a delegacia o carro que teria sido usado para a fuga dos criminosos depois de atearem fogo no veículo onde estavam Flaviana Gonçalves, Romoyuki Goçalves, pais de Ana Flávia, e o irmão dela, Juan Victor.

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Laudo da polícia indicou que a família foi morta com golpes na cabeça antes de ser queimada dentro do carro. Investigações iniciais apontam ainda que Carina teria sido a mentora intelectual do crime, motivada pelo interesse em cerca de R$ 85 mil que a família supostamente teria em um cofre na residência onde o roubo teria sido simulado. Segundo o advogado de Ana Flávia, a jovem diz ser inocente e apenas chora desde o dia do crime. Para a polícia, o crime "está 99% resolvido".

A polícia , no entanto, ainda aguarda resultado dos laudos periciais e necroscópicos, assim como avaliam os resultados da quebra de sigilos telefônicos, principalmente de Carina , Ana Flávia e Juliano.

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