
Conforme tempestades severas e até tornados aparentam estar se tornando mais frequentes especialmente no Sul do Brasil, outro fenômeno raro associado a esses eventos extremos pode vir a acontecer: o céu verde.
A ciência ainda não possui um consenso sobre o que causa a cor inusitada, que costuma preceder intensas tempestades e, popularmente, levou a crenças como ser sinal de tornados ou de queda de granizo.Contudo, essa parte as pesquisas já comprovaram que não é um fato. Segundo informações da agência estadunidense NOAA, existem evidências documentadas de que o céu esverdeado precede tempestades, mas cientistas não chegaram a um consenso sobre a coloração.A cor não acontece sempre e depende de mais fatores para além da formação de uma tempestade. Uma das principais teorias é que o verde “reflete” através de nuvens com vasto volume de água e gelo, que são atingidos por raios solares e exibem a cor.O que se sabe até agora?
O principal mecanismo estudado é a água presente dentro de nuvens de tempestade. Isso porque a luz do sol contém todo espectro de cores visíveis (tal qual um arco-íris exibe) e, quando atravessa a água, pode ser dividida, absorvida, espalhada.
As cores nada mais são que diferentes comprimentos de onda da luz. Ou seja, algumas são mais longas e outras, curtas. Com isso, alguns estudos sugerem que em determinados cenários a água absorve principalmente ondas mais longas, como o vermelho e o laranja.
O resultado disso pode ser um tom verde e azul-esverdeado, até amarelo-esverdeado que parece ser “emitido” pela nuvem, pois foi o comprimento de onda que passou sem ser absorvido pela água.
Um trabalho de Craig Bohren e Alistar Fraser, de 1993, propõe justamente essa explicação. Outro detalhe importante é sobre o volume da água e quanto a forma dela, sólida ou líquida. Nesse sentido, ainda não há confirmação sobre a necessidade de a nuvem estar carregada com granizo.
O fato é, a maioria das pesquisas apontam que a água líquida interage com a luz e pode alterar a aparência (cor) dela para quem está observando. Em 1996, outro estudo de Bohren, agora com Beasley, comprovou que havia um espectro de onda verde na luz durante tempestades.
Ou seja, foi descartado qualquer “ilusão” na percepção esverdeada, seja pelos olhos humanos ou por efeitos de equipamentos fotográficos.
Relação com pôr do sol
Conforme a MetSul Meteorologia, estudos também sugerem que a luz do sol antes da tempestade é uma das chaves dessa questão.
Durante o pôr do sol, por exemplo, a predominância de cores avermelhadas, de maior comprimento, pode favorecer o céu esverdeado. Isso porque essas tonalidades seriam as mais absorvidas pelas nuvens, restando ondas de comprimento intermediário, como o verde.
Por outro lado, o fenômeno pode acontecer noutros horários do dia. As pesquisas atribuem o céu verde a uma soma de fatores: a luz incidente do Sol, a estrutura da nuvem, quantidade de água e de gelo e a geometria entre tudo isso.
Céu verde é sinal de granizo ou tornados?
Cientistas apontam que não há correlação comrpovada entre o céu verde e a ocorrência de tornados ou granizo.
O fator em comum entre todos esses eventos é o mesmo: uma instabilidade severa que foram uma tempestade, com energia para altos volumes de chuvas.
As condições atmosféricas que provocam os dois fenômenos também têm capacidade de gerar o céu esverdeado, o que favorece a percepção de que todos os três eventos estão relacionados. Porém, a ocorrência de um não determina a dos outros.
Uma tempestade pode produzir granizo ou tornado sem o céu esverdeado ( como casos recentes observados no Brasil), assim como pode acontecer a coloração sem nenhuma queda de granizo.