Jonathan e o filho estavam na praia de Lavernock, País de Gales, quando encontraram o fóssil que solucionou a dúvida científica de longa data
Amgueddfa Cymru/Museum Wales/Divulgação
Jonathan e o filho estavam na praia de Lavernock, País de Gales, quando encontraram o fóssil que solucionou a dúvida científica de longa data

Caminhando na praia acompanhado do filho, um caçador de fósseis, que pratica a atividade por hobby, encontrou um exemplar raro de mandíbula fossilizada com dentes ainda em desenvolvimento que resolveu mistério da ciência há pelo menos 200 anos.

Jonathan Bow estava na praia de Lavernock, no País de Gales, quando achou a mandíbula. Conforme associação dos Museus Nacionais do País de Gales, o exemplar causou confusão, já que não se enquadrava em nenhuma espécie conhecida.

O exemplar foi enviado à Universidade de Bristol para análise e foi base para uma nova pesquisa que apontou um erro de pelo menos 200 anos na identificação de espécies do período Triássico.

Isso porque fósseis de animais marinhos dentados foram confundidos entre peixes e anfíbios por muito tempo, um entendimento que se perpetuou até boa parte do século XX.

Com o novo fóssil, os pesquisadores puderam caracterizar duas espécies diferentes, que antes eram parte do mesmo agrupamento: Saurichthys e Birgeria.

As duas espécies tinham dieta e comportamento diferentes, mas viveram na mesma época do Triássico
Amgueddfa Cymru/Museum Wales/Divulgação
As duas espécies tinham dieta e comportamento diferentes, mas viveram na mesma época do Triássico


Ambas eram registradas como Severnichthys. Contudo, o Saurichtys, espécie da mandíbula de Jonathan, provavelmente foi um caçador rápido e ágil, enquanto o Birgeria era maior, mais forte, lento e com uma dieta mais diversa.

As informações foram divulgadas pelos museus no dia 25 de setembro. O exemplar será exposto no National Museum Cardiff ainda em 2026.


Entenda o “imbróglio”

Durante quase 200 anos, fósseis encontrados no Canal de Bristol, região litorânea do País de Gales, foram interpretados como anfíbios gigantes por cientistas, sobretudo por causa do formato incomum dos dentes.

A mandíbula continha dentes ainda em desenvolvimento que foram fundamentais para diferenciação e identificação das espécies
Amgueddfa Cymru/Museum Wales/Divulgação
A mandíbula continha dentes ainda em desenvolvimento que foram fundamentais para diferenciação e identificação das espécies


Ao longo do tempo, as pesquisas avançaram e estabeleceram que os animais dentados daquela época eram, na verdade, peixes. O fóssil encontrado por Jonathan levantou um novo problema: exemplares diferentes estavam reunidos como um mesmo animal.

Com isso, após comparações com outros registros da época na região, a pesquisa que surgiu daquela caminhada na praia descobriu e diferenciou duas novas espécies.

Um dos coautores do estudo, Dr. Sam Cooper, classificou como surpreendente a descoberta e a forma como um único exemplar conseguiu desembaraçar a confusão tão longínqua das pesquisas.

A curadora de Geologia do Museu de Wales, do País de Gales, Cindy Howells, a descoberta que aconteceu de forma “casual” precisa ser compartilhada com o público por exemplificar como cidadãos podem colaborar com ciência .

A cientista também destaca que, possivelmente, há uma série de novas descobertas para serem feitas a partir de exemplares da região, sobretudo com as novas tecnologias e linhas de pesquisa.

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