
O antigo ditado chinês de "Ter tinta no estômago" é utilizado até os dias atuais para elogiar as pessoas sábias. No entanto, a expressão já foi mais literal do que parece.
Há séculos, entre os anos de 420 e 589, o país viveu uma divisão política e geográfica. Com a formação das Dinastias do Norte e do Sul, os registros da ingestão de tinta surgiram como uma "punição" para aqueles com caligrafia ilegível.
Segundo o Livro de Sui, durante um exame aplicado por um oficial da corte, os estudiosos que apresentassem uma letra ruim tomavam um "sheng" de tinta, o equivalente a 600 mililitros.
Apesar de ter sido extinta com a ascensão de Li Shimin ao trono durante a dinastia Tang (618–907), a prática continuou entre as pessoas, que passaram a consumir tinta voluntariamente com o objetivo de melhorar a escrita.
O poeta Wang Bo (650–676), da dinastia Tang, por exemplo, bebia vários "sheng" de tinta quando sentia um certo bloqueio criativo, para ajudar a "criar rascunhos mentais".
Outro conhecido por consumir tinta era o escritor Su Shi (1037–1101), da dinastia Song (960–1279). Em sua famosa frase, ele afirma que "Se eu vestisse novamente a túnica de cânhamo (roupa utilizada na realização do exame), a tinta do exame seria de fato digna da minha bebida."
A tinta da época, diferentemente das tintas atuais com elementos químicos que prejudicam a saúde, era feita com fuligem da queima de plantas naturais ou óleos animais, o que a tornava segura para consumo.
Algumas também eram feitas com ervas medicinais tradicionais chinesas, como a Tinta Medicinal dos Oito Tesouros e Cinco Biles da dinastia Qing (1644–1912) que ajudava na prevenção de doenças e com cuidados de beleza.