Além das 1.430 mortes confirmadas na Venezuela, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 3.100 estão desabrigadas
Divulgação Exército e Força Aérea do México / X
Além das 1.430 mortes confirmadas na Venezuela, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 3.100 estão desabrigadas

O ano de 2026 tem sido marcado por uma  sequência de terremotos  ao redor do mundo. Os tremores repentinos são causados por falhas geológicas e pelo atrito entre placas tectônicas, que provocam a liberação de energia acumulada.

O fenômeno mais recente ocorreu em Granada, na Espanha, nesta terça-feira (18). A região da Península Ibérica está entre as placas Euroasiática e Africana.

O Brasil, por sua vez, se localiza no centro da Placa Sul-Americana, e não próximo às placas de Nazca e do Caribe, como é o caso da Colômbia e da Venezuela, respectivamente.

José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que isso torna a presença do fenômeno no território brasileiro improvável, mas não impossível.

O Brasil é um dos países menos sísmicos do mundo, então o risco que corremos é muito menor do que o de outros países que estão na borda de placas tectônicas. Ou seja, temos um risco sísmico baixo quando falamos em probabilidade de ocorrência de terremotos de grande magnitude, porém baixa probabilidade não significa que é impossível, apenas muito improvável. José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da USP







No entanto, segundo Nogueira, estados como Minas Gerais podem sentir reflexos de terremotos em outros países devido à propagação das ondas sísmicas pelo solo.

As vibrações balançam objetos, janelas e estruturas.

Atualmente, o estado com o maior número de terremotos registrados é Minas Gerais. No estado, há muitas mineradoras e barragens, que são estruturas sensíveis a abalos sísmicos, e hoje é onde está concentrado o maior número das nossas estações de monitoramento. Mas também seria importante adensar a nossa rede de monitoramento em regiões como Amazônia e Pará, em que temos pouquíssimos dados ou informações sobre tremores. José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da USP







Ao todo, o Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou 1.254 tremores entre 5 e 7,9 de magnitude até meados de agosto.

Segundo o especialista, o número está dentro do esperado para este ano. O que pode estar acontecendo é uma maior divulgação.

Nogueira destaca que, por ano, a média é de 14 terremotos de magnitude igual ou superior a 7. Em 2026, foram cerca de 11 terremotos, indicando que este ano pode estar ligeiramente acima da média. No entanto, o especialista ressalva que isso não indica aumento da atividade sísmica; são variações normais. Em 2010, compara ele, foram 24 terremotos de magnitude 7.

Os dados não indicam que há um aumento no número de terremotos. O que pode estar acontecendo é uma maior divulgação devido à imprensa e às redes sociais, o que é muito comum depois de grandes catástrofes, como aconteceu na Venezuela. José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da USP



Apesar dos estudos feitos na área, os eventos ainda são imprevisíveis e não há dados que indiquem uma correlação entre eles.

Os terremotos que aconteceram foram uma coincidência. Não há dados científicos que indiquem alguma correlação entre eles. Os terremotos do Japão, Venezuela, Colômbia e Indonésia aconteceram em placas tectônicas diferentes. José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da USP






*Estagiária sob supervisão


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