A mulher que gravou 33 anos de TV em 70 mil fitas VHS
Reprodução X e Freepik
A mulher que gravou 33 anos de TV em 70 mil fitas VHS

Em 1979, a americana Marion Marguerite Stokes embarcou em uma missão única que atravessaria décadas e mudaria a forma como a história recente poderá ser pesquisada. As informações são do site All Thats Interesting.

Stokes foi bibliotecária, produtora de televisão , ativista pelos direitos civis, arquivista autodidata e passou mais de 33 anos registrando 24 horas por dia a programação de telejornais nos Estados Unidos, até o dia de sua morte, em 14 de dezembro de 2012 .

Marion Marguerite Stokes e seu filho, Michael.
Reprodução
Marion Marguerite Stokes e seu filho, Michael.


O projeto começou durante a cobertura contínua da Crise dos Reféns no Irã, quando Stokes percebeu que a cobertura jornalística dedicada não só aos grandes eventos, mas também às notícias cotidianas, poderia ser perdida ou apagada com o tempo .

Convencida de que a maneira como o mundo era narrado pela mídia influenciava profundamente a compreensão pública dos fatos, ela decidiu guardar essas imagens como um registro bruto e inalterado da era do noticiário 24 horas.

Marion Stokes teve que comprar vários apartamentos adicionais para armazenar suas fitas.
Arquivo da família
Marion Stokes teve que comprar vários apartamentos adicionais para armazenar suas fitas.


Para isso, Stokes instalou múltiplos videocassetes em sua casa, gravando simultaneamente diversos canais ( CNN, Fox News, MSNBC, C-SPAN e outros ) em fitas VHS e Betamax, que mais tarde somariam um total estimado de 71 mil fitas .

Ao longo de sua vida, ela chegou a operar até oito videocassetes ao mesmo tempo, trocando as mídias a cada poucas horas para manter as gravações sempre em andamento.

Ao contrário do que muitos fariam pensando em entretenimento, Stokes não estava interessada em programas ou novelas, mas em capturar a forma como o noticiário moldava a percepção pública dos acontecimentos.

No total, Stokes coletou mais de 400.000 horas de filmagens.
Acervo da família.
No total, Stokes coletou mais de 400.000 horas de filmagens.


Seu objetivo era preservar as imagens originais, acreditando que, sem essa documentação, a verdade histórica poderia desaparecer ou ser reformulada por versões posteriores.

O acervo que ela deixou é considerado um dos maiores e mais completos arquivos privados da história da televisão, com registros que vão desde eleições presidenciais, protestos, guerras e tragédias, até comerciais e programas locais. A última fita gravada por Stokes capturou a cobertura do massacre de Sandy Hook, em dezembro de 2012, pouco antes de sua morte.

Após seu falecimento, o filho Michael Metelits doou toda a coleção para o Internet Archive, em um processo que exigiu vários contêineres para transportar as fitas até San Francisco. A organização sem fins lucrativos assumiu o desafio monumental de digitalizar e catalogar o material, um trabalho que envolve equipamentos especializados e que continua em andamento devido à escala e à fragilidade das mídias originais.


A trajetória de Marion Stokes tornou-se tema do documentário "Recorder: The Marion Stokes Project (2019)", dirigido por Matt Wolf, que explora tanto sua vida complexa quanto a relevância histórica de seu arquivo televisivo.

Hoje, essa coleção não é apenas um amontoado de fitas antigas: é uma verdadeira cápsula do tempo da sociedade contemporânea, usada por pesquisadores, jornalistas e curiosos para revisitar a maneira como eventos mundiais foram mostrados no momento em que aconteceram, algo que poucas instituições ou redes de televisão preservaram tão exaustivamente.

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