A Rússia lançou neste domingo (7) o maior ataque aéreo contra Kiev desde o início da guerra na Ucrânia. Segundo autoridades locais, mais de 800 drones foram disparados contra a capital, em uma ofensiva que deixou ao menos cinco mortos e dezenas de feridos.
Pela primeira vez desde a invasão em larga escala, um prédio do governo ucraniano foi atingido na capital. Uma coluna de fumaça foi vista saindo do edifício dos gabinetes dos ministros, no distrito de Pechersky. Ainda não está claro se o local foi diretamente bombardeado ou atingido por destroços, segundo informações da AFP e da AP.
A Rússia confirmou a ofensiva e disse que mirou fábricas de armamentos, depósitos de drones, aeródromos e infraestrutura militar ucraniana.
"O mundo precisa responder não apenas com palavras, mas com ações", afirmou a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, após os ataques.
O presidente Volodymyr Zelensky chamou a ofensiva de "crime deliberado" e voltou a cobrar dos aliados o reforço das defesas aéreas do país.
Balanço do ataque
Segundo o Ministério do Interior, mais de 20 pessoas ficaram feridas em Kiev. Em outras áreas da cidade, prédios residenciais foram danificados e famílias tiveram que deixar suas casas. Um bebê de três meses está entre os mortos.
O balanço da Força Aérea ucraniana contabilizou 810 drones e 13 mísseis, que somam o maior ataque com drones desde o início da guerra. A Ucrânia afirmou ter neutralizado 747 drones e quatro mísseis, mas reconheceu que houve nove impactos de mísseis e 56 ataques de drones em 37 localidades.
O ataque também deixou mortos em Zaporizhzhia, Kryvyi Rih, Odesa, Sumy, Chernihiv e Dnipropetrovsk. Entre as vítimas estão um homem de 54 anos e uma mulher, além do bebê em Kiev.
Repercussão internacional
O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o ataque e disse que Moscou "se afunda cada vez mais na lógica da guerra e do terror".
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusou o presidente russo Vladimir Putin de agir "impunemente" e sem compromisso com a paz.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se disse "frustrado" com Moscou. Na última sexta-feira, ele afirmou trabalhar em garantias de segurança para a Ucrânia.