Viktor Bout cumpre pena nos EUA e pode ser usado em troca de presos com a Rússia
Reprodução / Al Jazeera
Viktor Bout cumpre pena nos EUA e pode ser usado em troca de presos com a Rússia

A movimentação dos Estados Unidos na tentativa de  repatriar a jogadora de basquete Brittney Griner teve um novo capítulo nesta semana. O país ofereceu à Rússia a possibilidade de uma troca da atleta e do ex-fuzileiro naval Paul Whelan pelo traficante de armas russo Viktor Bout , em proposta apoiada pelo presidente americano, Joe Biden.

Também conhecido como o “Mercador da Morte”, Bout cumpre uma sentença de 25 anos em uma prisão federal russa por conspirar para vender armas a pessoas que disseram que planejavam matar americanos. Ao ser questionado no Fórum de Segurança de Aspen, na semana passada, sobre a possibilidade de negociar Bout, William J. Burns, diretor da Agência Central de Inteligência, não pareceu entusiasmado, chamando Bout de “um idiota”.

Em sua defesa, o russo diz ser inocente das acusações. O Kremlin pede a libertação de Bout há alguns anos, criticando a sentença, emitida em 2012, apontando que a decisão seria “infundada e tendenciosa”.

Empresário russo que fala seis idiomas, Viktor Bout (que supostamente já utilizou nomes como “Victor Anatoliyevich Bout”, “Victor But”, “Viktor Butt”, “Viktor Bulakin” e “Vadim Markovich Aminov”) foi preso durante uma operação policial feita por agentes da Administração de Fiscalização de Drogas dos Estados Unidos na Tailândia, em 2008. Ele só seria extraditado em 2010, após longo processo judicial, segundo a CNN .

"[Viktor Bout] finalmente foi levado à justiça em um tribunal americano por fornecer um número impressionante de armas de nível militar para uma organização terrorista comprometida em matar americanos", disse Preet Bharara, advogado dos  Estados Unidos quando Bout foi sentenciado em Nova York em 2012.

O julgamento destacava o papel de Bout no fornecimento de armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ele também é acusado de montar uma frota de aviões de carga para transportar armas de nível militar para zonas de conflito em todo o mundo desde a década de 1990, como em confrontos na Libéria.

As atividades no país africano, inclusive, levaram as autoridades americanas a congelar os bens de Bout em 2004. Em sua defesa, o russo afirmou que operava negócios legítimos e agia como um provedor de logística.

"Seus primeiros dias são um mistério", disse à CNN em 2010 Douglas Farah, membro do Centro Internacional de Avaliação e Estratégia e co-autor de um livro sobre Bout, cuja idade precisa não é conhecida pelas autoridades, embora acredita-se que ele tenha cerca de 50 anos.

Bout já afirmou ter trabalhado como oficial militar em Moçambique. A informação, contudo, pode estar errada, uma vez que a atuação teria ocorrido em Angola, onde a Rússia tinha uma grande presença militar à época, segundo Farah. Ele se tornou conhecido quando as Nações Unidas começaram a investigá-lo no início da década de 1990, com ajuda dos EUA.

Acredita-se, ainda, que Bout tenha sido a inspiração para o personagem traficante de armas, interpretado por Nicolas Cage, do filme de 2005 “O Senhor das Armas”. Em 2002, a jornalista Jill Dougherty se encontrou com ele em Moscou e o questionou sobre as acusações contra ele, como venda de armas para Talibã e Al-Qaeda e negócios com rebeldes da África. Bout negou todas as alegações.

"É uma alegação falsa e é uma mentira. Não tenho medo. Eu não fiz nada na minha vida que eu deveria ter medo", defendeu-se Bout.

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