Robert Crimo, preso como 'pessoa de interesse' por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois
Reprodução - 05.07.2022
Robert Crimo, preso como 'pessoa de interesse' por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois

O homem preso como uma “pessoa de interesse” após o  ataque que deixou seis mortos e 24 feridos na segunda-feira durante um desfile do Dia da Independência perto de Chicago, no estado americano de Illinois, era um rapper amador relativamente popular na região. O cantor, segundo uma reportagem feita pelo jornal Washington Post, tinha uma presença on-line que mostrava traços de violência e sinais de instabilidade.

O homem, identificado como Robert E. Crimo, de 22 anos, foi detido após uma breve perseguição policial em Lake Forest, uma cidade próxima ao local do ataque, Highland Park, um subúrbio ao norte de Chicago com 30 mil habitantes. Ele é suspeito de ter disparado com um fuzil, de cima de um telhado, contra centenas de pessoas que assistiam à cerimônia.

Crimo, que é conhecido pelo apelido Bobby, usa o nome profissional de “Awake the Rapper” e tinha modestos 16 mil ouvintes mensais no Spotify. Nas fotos divulgadas pela política e nos seus perfis nas redes, é possível ver que é um homem branco, com cabelos pretos longos e de baixa estatura. Tem tatuagens no rosto e no pescoço, incluindo uma acima de sua sobrancelha esquerda onde se lê “Awake”.

Um vídeo recente parecia mostrar os momentos posteriores a um ataque a tiros contra uma escola. Uma pessoa que parece Crimo, por sua vez, aparecia de capacete e colete ao lado da bandeira dos Estados Unidos.

Uma animação computadorizada mostrava uma pessoa com roupas táticas e um rifle diante de outra, ajoelhada e implorando por sua vida. Ao lado havia um terceiro indivíduo, aparentemente morto. Há referências a Lee Harvey Oswald, o homem responsável pelo assassinato do presidente americano John Kennedy, em 1963.

“Como um sonâmbulo, não consigo parar e pensar (...) Eu preciso ir agora, preciso apenas fazer. É o meu destino. Tudo culminou nisso. Nada pode me parar, nem eu mesmo”, diz a voz em off na música. “Há mesmo livre-arbítrio ou tudo isso foi planejado como uma receita cósmica?”

Horas após a prisão do suspeito, no fim de segunda-feira, suas músicas já haviam sido retiradas do Spotify e os vídeos não estavam mais disponíveis no YouTube. Segundo a plataforma de streaming, o conteúdo foi removido “em parceria com os vários distribuidores de música”. Sua conta no Instagram também foi derrubada.

Em um outro vídeo, o homem de 22 anos aparecia repetindo a palavra “liberdade”. Também dizia que “odeia quando outros recebem mais atenção que eu na internet”. Havia ainda um vídeo que o próprio homem parecia ter filmado, esperando na multidão por uma comitiva presidencial.

Há ainda fotos em que Crimo parece estar em um comício do ex-presidente Donald Trump. Não está claro, contudo, quais candidatos ou partidos apoiava. Ao jornal da capital americano, Bennet Brizes, que conheceu o suspeito por volta de 2015 na cena musical local, disse que ele era “coerentemente apolítico”, mas não soube afirmar qual era seu posicionamento político atual.

Segundo Brizes, Crimo — a quem ele chama de Bobby e classifica como um “cara estranho” — já recebeu bem por seu trabalho musical, a ponto de ter lançado CDs físicos e usar roupas originais de grife. Os dois se afastaram em 2019, mas se falaram pela última vez no ano passado quando, segundo o entrevistado, Crimo parecia “deprimido”.

Veja alguns dos vídeos:

Segundo o tio do suspeito, Paul Crimo, seu sobrinho está desempregado há cerca de dois anos, quando trabalhou pela última vez na franquia de uma rede de padarias. Eles viviam na mesma casa, mas o homem disse que suas interações com o sobrinho se resumiam a “oi” e “tchau”.

"Ele é um jovem muito quieto, guarda tudo para si. Não se expressa, fica apenas no computador, não tinha muita interação com ele", disse Paul, afirmando que o suspeito tinha algo como um apartamento separado na casa.

Tio e sobrinho moravam juntos com o pai do suspeito, Robert Crimo Jr., dono de uma delicatessen na cidade que concorreu para prefeito de Highland Park em 2019. Ele, contudo, perdeu a disputa.

"Eu e meu irmão somos muito conhecidos em Highland Park", disse Paul Crimo. "Todo mundo nos ama. Só ouvir sobre isso parte meu coração."

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