Israel autoriza construção de casas em assentamento na Cisjordânia ocupada
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Israel autoriza construção de casas em assentamento na Cisjordânia ocupada

Israel aprovou nesta quinta-feira a construção de 2.791 casas e deu uma aceno inicial a outras 1.636 em seus assentamentos na Cisjordânia ocupada, onde os palestinos buscam a formação de um Estado próprio , segundo a Paz Agora, uma ONG que monitora o avanço dos assentamentos.

O Paz Agora, que defende uma solução de dois Estados, forneceu os número após uma reunião do Conselho Superior de Planejamento de Israel, que se reuniu para ratificar as construções. 

A informação vem à tona um dia após militares israelenses demolirem ao menos 18 edifícios e construções em uma área onde cerca de mil palestinos correm o risco de serem despejados para dar lugar a uma zona de treinamento militar.

Não houve declaração imediata do governo, mas respondendo no Twitter à informação do Paz Agora, o ministro do Interior nacionalista de Israel, Ayelet Shaked, chamou de "um dia festivo para o assentamento da Judeia e Samaria" — nomes bíblicos para a Cisjordânia.

Na semana passada, Shaked anunciou o plano para aprovar as novas casas, e o governo Biden expressou “forte” oposição em resposta. A decisão desta quinta marca o maior avanço dos assentamentos israelenses desde o início do mandato do democrata.

Questionado na quinta-feira sobre a decisão do conselho de habitação, um porta-voz da embaixada dos EUA submeteu à Reuters as observações feitas pelo Departamento de Estado depois que Shaked falou na semana passada.

"O programa de expansão de assentamentos de Israel prejudica profundamente a perspectiva de uma solução de dois Estados", disse o Departamento de Estado na sexta-feira, referindo-se à visão de um Estado palestino ao lado de Israel. As negociações sobre esse objetivo pararam em 2014.

Na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Bassam al-Salhe, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, exortou os palestinos a "intensificar sua luta diante desses projetos de assentamento".

Ele também pediu à comunidade internacional "que tome medidas dissuasivas contra Israel para obrigá-lo a interromper os assentamentos e sua agressão contra nosso povo palestino".

O Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Tor Wennesland, condenou a decisão de Israel na quinta-feira, que descreveu como "unilateral e provocativa".

"A contínua expansão dos assentamentos fortalece ainda mais a ocupação, invade a terra e os recursos naturais palestinos e dificulta a livre circulação da população palestina", disse ele.

Há uma semana, a Suprema Corte de Israel decidiu que pelo menos mil palestinos podem ser expulsos de uma parte rural da Cisjordânia ocupada para que o local seja utilizado pelo Exército israelense, marcando uma das maiores decisões de despejo desde o início da ocupação israelense de territórios palestinos, em 1967.


A maioria das potências mundiais considera os assentamentos de Israel como ilegais. O governo israelense, por outro lado, contesta isso, citando necessidades de segurança e conexões bíblicas, históricas e políticas com o território.

Nenhuma data foi dada imediatamente para a construção das casas que expandiriam 22 dos 132 assentamentos apoiados pelo governo de Israel na Cisjordânia.

Israel já construiu mais de 130 assentamentos na Cisjordânia que hoje abrigam cerca de 500 mil colonos israelenses, segundo a AP. Quase 3 milhões de palestinos vivem no território sob o domínio militar israelense. 

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) exerce um domínio limitado sobre partes da Cisjordânia e coopera com Israel em questões de segurança.

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*Com informações de agências internacionais

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