Armamento na guerra da Rússia contra a Ucrânia
Reprodução: redes sociais - 19/04/2022
Armamento na guerra da Rússia contra a Ucrânia

O governo da Rússia voltou a dizer nesta quinta-feira que o fornecimento de armas pesadas à Ucrânia por países ocidentais ameaça a segurança na Europa. O país também disse que ataques dentro de território russo “testam a sua paciência”.

A porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova, acusou países ocidentais de incentivarem a Ucrânia a atacar alvos em território russo:

'Tais agressões contra a Rússia não podem ficar sem resposta. Mais provocações que levem a Ucrânia a atacar as instalações russas serão recebidas com uma resposta dura da Rússia. Não aconselhamos a continuarem testando nossa paciência.'

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que o fornecimento de armas à Ucrânia pelo Ocidente ameaça a segurança na Europa.

'A tendência de encher a Ucrânia e outros países de armas são ações que ameaçam a segurança do continente e causam instabilidade', disse Peskov em sua entrevista coletiva diária.

O fornecimento de armas e ataques a alvos como paióis e reservas militares de combustível em território russo, perto da fronteira, crescentemente são pontos de tensão na guerra.

A Rússia já alertou anteriormente que consideraria as armas fornecidas pelo Ocidente à Ucrânia como "alvos legítimos" de suas Forças Armadas.

O principal temor é de que, em algum momento, a Rússia decida atacar cadeias de fornecimento de armas em território fora da Ucrânia, como na Polônia. Isto significaria um ataque contra um membro Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e representaria uma evolução significativa do conflito.

Na quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, emitiu um novo alerta, com uma ameaça nuclear subentendida, durante uma fala no Parlamento em São Petersburgo:

'Se alguém decidir se intrometer em eventos em andamento e criar ameaças estratégicas inaceitáveis para a Rússia, deve saber que nossa resposta será rápida como um raio', afirmou o presidente russo. 'Temos todos os instrumentos para isso, dos quais ninguém mais pode se gabar. E nós os usaremos, se preciso for. Quero que todos saibam: tomamos todas as decisões sobre essa questão.'

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O assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak — que lidera a delegação responsável por negociações diplomáticas com a Rússia — defendeu o direito da Ucrânia de atacar alvos militares dentro da Rússia, alegando legítima defesa. “A Rússia ataca a Ucrânia e mata civis. A Ucrânia se defenderá por todos os meios, inclusive com ataques contra depósitos e bases dos assassinos russos. O mundo reconhece esse direito", escreveu em uma rede social.

O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, disse nesta quinta-feira considerar legítimo que as forças ucranianas atacassem a logística russa para prejudicar seu suprimento de alimentos, combustível e munição.

'Parte da defesa neste tipo de invasão é, obviamente para a Ucrânia, ir atrás das linhas de abastecimento do Exército russo. Porque sem combustível, comida e munição, o Exército russo para e não consegue mais continuar sua invasão', disse Wallace. 'Se a Ucrânia optar por mirar na infraestrutura logística para o Exército russo, isso seria legítimo sob a lei internacional.'

As tensões entre o Reino Unido e a Rússia aumentaram nesta semana, após Moscou acusar Londres de provocar a Ucrânia a atacar alvos dentro da Rússia, dizendo que haveria uma "resposta proporcional" imediata se isto continuasse.

Wallace disse que o Reino Unido enviou artilharia para a Ucrânia que estava sendo usada dentro da Ucrânia contra as forças russas, mas acrescentou que não havia, e era improvável fazer isso no futuro, enviar armas que pudessem ser usadas para ataques de longo alcance.

Ele disse que não ficou claro se os ataques registrados na Rússia nas últimas semanas vieram do Estado ucraniano, e acrescentou que a Ucrânia não possuía armas britânicas que pudessem fazer isso.

Wallace também negou que a Otan esteja envolvida em uma guerra por procuração com a Rússia, mas disse que o Ocidente fornecerá apoio crescente à Ucrânia se os ataques russos continuarem.

'Às vezes, isso inclui aviões e tanques', disse ele à Times Radio.

A Rússia criticou várias vezes o apoio militar do Ocidente à Ucrânia, acusando os países da quererem prolongar o conflito para enfraquecer Moscou.O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, falou abertamente na ambição de enfraquecer o Exército russo nesta semana.

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