Suposta invasão seria para assumir o controle político-militar do Oeste ucraniano
Reprodução/Twitter - 17.04.2022
Suposta invasão seria para assumir o controle político-militar do Oeste ucraniano


Em um novo capítulo da guerra de narrativas que acompanha o conflito militar na Ucrânia, o chefe do serviço de inteligência estrangeira da Rússia acusou os EUA e a Ucrânia de planejarem assumir o "controle político-militar" do Oeste ucraniano através de uma intervenção armada. A alegação foi considerada falsa pelos poloneses.

Em comunicado à imprensa, Sergey Narishkin, chefe do SVR (sigla em russo para Serviço de Inteligência Estrangeira), disse, segundo informações recebidas pela agência, "Washington e Varsóvia estão trabalhando em planos para estabelecer um rígido controle militar e controle político sobre suas possessões históricas na Polônia. 

Ele se referia aos territórios poloneses que, após a Segunda Guerra Mundial, passaram a integrar a então República Socialista Soviética da Ucrânia, e que incluem a cidade de Lviv.

"A primeira etapa da 'reunificação' deve ser a entrada das tropas polonesas nas regiões ocidentais do país, sob pretexto de 'proteção contra a agressão russa'. Atualmente, as modalidades da próxima missão estão sendo discutidas com a administração de John Biden", escreveu Naryshkin no comunicado. 

"De acordo com os acertos preliminares, ela ocorrerá sem mandato da OTAN, mas com a participação de 'Estados dispostos'".


Segundo ele, a escolha pelo ataque no Oeste ucraniano, onde não há presença de forças russas, seria para evitar um confronto direto, e teria como objetivo abrir caminho para o que ele chama de "Grande Polônia" e o desmantelamento do Estado ucraniano.

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"De acordo com os cálculos da administração polonesa, a consolidação preventiva no Oeste da Ucrânia levará a uma divisão no país. Ao mesmo tempo, Varsóvia receberá essencialmente o controle sobre os territórios, que incluirão 'mantenedores da paz poloneses'", escreveu Naryshkin.

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A mensagem, considerada rara por trazer impressões do próprio chefe da agência, criada em 1991, não trouxe qualquer evidência para comprovar as acusações. Também nesta quinta, o senador Andrei Klimov, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Conselho da Federação (Câmara Alta do Parlamento) disse, sem provas, que a Polônia pretendia estabelecer controle sobre partes da Ucrânia, uma ideia que foi criticada pelas autoridades de Varsóvia, e chamada de ato de desinformação.

"As mentiras sobre os supostos planos para atacar o Oeste da Ucrânia estão sendo repetidas há anos. A campanha foi particularmente intensificada após o início da invasão russa da Ucrânia. Os mais altos escalões do Kremlin estão participando dos ataques à Polônia", escreveu, no Twitter, Stanislaw Zaryn, porta-voz do coordenador de serviços especiais da Polônia.

"O objetivo da propaganda russa é incentivar a desconfiança entre a Ucrânia e a Polônia, e minar a cooperação entre os dois países, para apresentar o Ocidente como uma entidade agressiva contra a Rússia e a Polônia como um 'instigador', que representaria uma ameaça à Otan e à Europa."

Na terça-feira, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, afirmou acreditar que a Ucrânia está entrando em colapso, e pode se dividir em uma série de Estados. Para ele, a culpa de tal processo é dos Estados Unidos.

“Usando seus capangas em Kiev, os americanos, em uma tentativa de suprimir a Rússia, decidiram criar um antiípoda de nosso país, cinicamente escolhendo a Ucrânia para isso, tentando dividir essencialmente um único povo”, disse Patrushev, em entrevista à Rossiyskaya Gazeta. 

“O resultado dessa política do Ocidente e do regime em Kiev só pode ser a desintegração da Ucrânia em vários Estados.”

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