O empresário Antônio Carlos Ramos (à dir.) o advogado Mário Pinho (ao lado) e o médico Gian Carlo Nercolini (ao fundo)
Reprodução - 08.04.2022
O empresário Antônio Carlos Ramos (à dir.) o advogado Mário Pinho (ao lado) e o médico Gian Carlo Nercolini (ao fundo)

Familiares dos  três brasileiros a bordo de um avião que desapareceu na Argentina chegaram ao país para acompanhar as buscas, que chegam ao terceiro dia nesta sexta-feira. Até o momento, não foram encontrados vestígios da aeronave, cujo sumiço foi reportado na tarde desta quarta-feira. O último registro de comunicação ocorreu nas proximidades da vila de Bahía Bustamante, na província de Chubut.

O empresário Antônio Carlos Castro Ramos, proprietário do avião, o médico Gian Carlo Nercolini e o advogado Mário Pinho voavam da cidade de El Calafate com destino a Trelew. Eles foram ao país para participar de um festival em comemoração do aniversário de 87 anos do Aeroclube de Comodoro Rivadavia. O trio mora em Santa Catarina e tem habilitação para pilotar.

Segundo o portal argentino ADN Sur, as mulheres de dois tripulantes e o irmão de outro deles chegaram a Comodoro e estão hospedados no centro da cidade . As buscas continuam nesta sexta-feira a partir das 7 horas da manhã no horário local, em uma área a 70 quilômetros de Comodoro e a 12 quilômetros da costa.

Nesta quinta-feira, as operações aéreas foram paralisadas em razão do mau tempo. As buscas terrestres e marítimas prosseguiram durante o dia. Em entrevista ao GLOBO, a filha do ginecologista que estava no avião afirmou que não encontraram nenhum pedaço da aeronave nem escombros.

" Eles desapareceram do radar, e ninguém sabe onde estão. Continuaram as buscas aéreas pela madrugada e retomaram as terrestres pela manhã, mas não acharam pedaços de peças, escombros, nada" disse Nicole Nercolini, de 26 anos. "Estou desesperada atrás de notícias. É bem difícil essa situação."

A Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA), órgão que controla o trânsito de aviões no país, informou nesta quinta-feira que o equipamento que auxiliaria na localização da aeronave não foi ativado.

De acordo com as autoridades argentinas, três aviões saíram do mesmo local, mas dois deles se deslocaram para Puerto Madryn. Apenas o monomotor RV-10 com matrícula PP-ZRT, que pertence ao empresário Antônio Carlos Ramos, não chegou ao seu destino.

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A imprensa local reportou houve fortes tempestades nesta quarta-feira na área onde a aeronave fez sua última comunicação. As chuvas ultrapassaram os 40 milímetros em poucas horas. Também foram registradas fortes rajadas de vento. Uma das hipóteses é que uma formação de gelo nas asas possa ter atrapalhado o voo.

Alerta sobre mau tempo

De acordo com o presidente do Aeroclube Lago Argentino, Freddy Vergnole, os tripulantes foram alertados sobre as más condições meteorológicas antes de decolarem. Disse ainda que o trio fez uma parada alternativa em Puerto Deseado, mas decidiu continuar a viagem.

"O único local onde tinham uma clareira era a Leste, o problema é que a Leste fica o mar e para um avião que não tem sistema de proteção anti-gelo, isso é perigoso. Aparentemente eles carregavam muitas formações de gelo nas asas, o que produz um peso que não permite que você voe" afirmou Vergnole à imprensa argentina. "Quando você entra em uma formação de gelo, precisa estar alerta imediatamente. Você pode perceber o acúmulo no nariz do avião ou na asa e precisa descer para escapar dessa situação imediatamente."

Conforme dados disponíveis no site da ANAC, a aeronave foi fabricada em 2016 pela Flyer Indústria Aeronáutica LTDA e tem capacidade para três passageiros. Seu peso máximo de decolagem é de 1.224 kg. O avião nao era autorizado a voar por instrumento, apenas para operar em voo visual diurno e noturno. O voo por instrumento ajuda em condições climáticas desfavoráveis.

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