Destruição em Bucha
Reprodução: Twitter - 04/04/2022
Destruição em Bucha

Diante de acusações de que teria realizado um massacre na cidade de Bucha , nos arredores de Kiev, a Rússia rejeitou qualquer participação nos ataques , que teriam deixado centenas de civis mortos, alguns com sinais de tortura e de execuções sumárias. Segundo o Kremlin, o episódio se trata de uma "provocação grosseira" a Moscou, e que tem como objetivo torpedear as negociações sobre um acordo de paz com a Ucrânia.

Um dia depois do representante russo na ONU, Vassily Nebenzia, apresentar uma narrativa apontando forças ucranianas, e não russas, pela morte de civis na cidade, foi a vez do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, questionar as provas apresentadas para ligar as ações às forças da Rússia que ocuparam brevemente Bucha no final do mês passado.

— Pelo que vimos, os materiais de vídeo não são confiáveis de várias maneiras, porque nossos especialistas do Ministério da Defesa identificaram sinais de falsificação de vídeo e várias falsificações lá — disse Peskov, citado pela Interfax. — Essas informações devem ser seriamente questionadas.

Peskov, contudo, não quis comentar sobre a presença repórteres da imprensa internacional que foram até Bucha e filmaram as atrocidades, e disse que se referia a imagens divulgadas pelos próprios ucranianos e que "formaram a base das acusações que começaram a surgir".

— Negamos firmemente que nossos militares possam estar envolvidos em tais crimes. Insistimos que os vídeos e fotos que você pode ver são o resultado de uma falsificação encenada — disse, mais tarde, em entrevista ao canal francês LCI.

Em suas primeiras declarações sobre Bucha, o presidente Vladimir Putin disse se tratar de uma "provocação grosseira e cínica por parte do regime de Kiev na cidade de Bucha", afirmou, durante reunião com o premier húngaro, Viktor Orbán.

Guerra de versões

Desde o final de semana, quando surgiram os primeiros relatos de que um massacre havia ocorrido em Bucha, nos arredores de Kiev, o governo da Ucrânia afirmou que os atos eram de inteira responsabilidade das forças russas. Sem grande importância militar, a cidade foi ocupada como parte da operação para capturar a capital ucraniana, mas houve forte resistência da população local.

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Nos últimos dias de março, a Rússia anunciou uma mudança de planos, abandonando a ofensiva contra Kiev e Chernihiv e declarando que concentraria forças no Leste do país, onde milícias separatistas operam desde 2014, e que serviu como uma das justificativas para a invasão. Com a saída dos militares, os relatos e imagens de violência ganharam o mundo, e levaram a condenações amplas e pedidos para investigações de crimes de guerra focados em Vladimir Putin.

Mas Moscou vem insistindo em uma versão diferente: segundo o governo, as cenas de terror em Bucha foram encenadas, e as execuções realizadas por "milícias nacionalistas" — durante um briefing à imprensa, nesta quarta-feira, a porta-voz da Chancelaria, Maria Zakharova, a imprensa ocidental esta "emitindo um veredito de culpado contra os russos, sem tentar verificar as provas".

— Esta falsificação criminal foi inventada para justificar o próximo pacote de sanções, incluindo uma grande expulsão de diplomatas [russos] de países diferentes — afirmou Zakharova, chamando veículos de imprensa internacionais de "cúmplices". — E, claro, para complicar, se não barrar completamente, as negociações [de paz].

Em entrevista coletiva, Mikhail Mizintsev, chefe do Centro de Controle de Defesa Nacional da Federação Russa, disse ter provas de que ataques semelhantes aos de Bucha estariam sendo planejados e implementados pelos ucranianos "nas cidades de Konotop e Trostyanets, na região de Sumy, bem como em Borodyanka e Katyuzhanka, na região de Kiev.

— Sabemos com certeza que o regime de Kiev está preparando mais um material provocativo sobre as mortes da população civil, supostamente como resultado das ações do Exército russo — disse Mizintsev, citado pela Tass.

Em suas declarações diante do Conselho de Segurança da ONU, na terça-feira, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que massacres semelhantes aos de Bucha ocorreram em cidades ocupadas ou atacadas pela Rússia, citando Kharkiv e Mariupol, e alertando que, em breve, imagens de horror seriam reveladas ao mundo.

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