Hungria propõe sediar reunião entre Putin e Zelensky
Reprodução / Record News - 31.03.2022
Hungria propõe sediar reunião entre Putin e Zelensky

governo da Hungria, que há anos mantém relações amigáveis com a Rússia e tensas com a liderança da União Europeia (UE), se disse disposto a usar rublos para pagar Moscou pelo fornecimento de gás, em mais uma posição que destoa da de Bruxelas.

O sinal amigável ao governo russo foi comunicado pelo premier húngaro, Viktor Orbán, em uma entrevista coletiva em Budapeste nesta quarta-feira, dias após sua expressiva reeleição para o quarto mandato consecutivo, em eleições que observadores internacionais classificam como sem condições iguais de disputa.

"Não será difícil para nós pagar em rublos pelo gás, se os russos pedirem, nós pagaremos assim", disse Orbán.

Na coletiva, o ultraconservador Orbán também disse que conversou com Putin e o convidou a uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Budapeste.

Em 23 de março, Putin advertiu a Europa que poderia cortar o seu fornecimento de gás se não passasse a ser pago em rublos, em retaliação às sanções ocidentais pela invasão da Ucrânia por Moscou. Os países europeus rejeitaram as condições.

A Hungria, que depende fortemente das importações russas de petróleo e gás, assinou um novo acordo de fornecimento de gás de longo prazo no ano passado, segundo o qual a Gazprom deve enviar 4,5 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.

A UE até agora não impôs sanções ao petróleo e gás da Rússia, mas está se preparando para propor a proibição das importações de carvão e outros produtos. A Hungria foi um dos poucos Estados-membros da UE a rejeitar qualquer espécie de sanção energética contra Moscou em resposta à invasão, que a Rússia chama de "operação militar especial".

Não só a Hungria pode pagar em rublos, como o vice-primeiro-ministro eslovaco e ministro da Economia, Richard Sulík  disse na segunda-feira que a Eslováquia aceitaria os termos de pagamento de Moscou, se necessário, em vez de prejudicar sua própria economia. Em seguida, no entanto, a Eslováquia desmentiu a informação, e afirmou que agirá em consonância com a UE.

Orban disse que convidou Putin para conversas na Hungria com os líderes de Ucrânia, França e Alemanha. Ele disse que a resposta de Putin foi "positiva", mas que o líder russo disse que isso acarretaria condições.

"O único objetivo desta reunião será um acordo sobre um cessar-fogo imediato", disse Orban, citado pela agência de notícias húngara MTI . "A resposta foi positiva, mas o presidente russo disse que isso tinha condições. Não posso negociar para atender a essas condições, ele e o presidente ucraniano precisam concordar com elas".

Várias vezes Putin negou encontra-se com Zelensky nessa etapa das negociações, dizendo que uma reunião entre os chefes de Estado não seria produtiva no momento. O diálogo esfriou após a descoberta dos corpos de civis em Bucha, com fortes indícios de crimes de guerra cometidos por tropas russas.

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Orban disse que "um cessar-fogo deve ser o primeiro passo para a paz, e isso deve ser seguido por uma conferência de paz europeia". O chefe do governo húngaro acrescentou que gostaria que isso acontecesse o mais rápido possível, porque as hostilidades estão se tornando "cada vez mais violentas".

Mesmo assim, Orbán, que busca equilibrar-se entre agrados a Putin e o não isolamento na União Europeia, condenou a invasão russa, dizendo que equivale a uma "agressão".

"Esta é uma guerra que os russos começaram, eles atacaram a Ucrânia, e é uma agressão, esta é a posição conjunta da União Europeia e a Hungria", afirmou.

O Executivo da União Europeia lançou um procedimento na terça-feira para reter o repasse de fundos de auxílio pós-pandemia para a Hungria, vinculando-os à manutenção do Estado de direito. A UE já iniciou cinco processos contra a Hungria por violações de leis democráticas, mas não tomou medidas de fato punitivas contra Budapeste.

As boas relações com Putin afastaram o governo da Hungria do da Polônia, seu tradicional aliado europeu, que é ferrenhamente contrário a Moscou. A Polônia também não teve acesso aos fundos.

Orbán afirmou que melhorar os laços com Varsóvia é uma de suas prioridades.

"O mais importante é fortalecer a aliança com a Polônia, porque você não pode ficar sozinho nessa tempestade. Ou talvez possa, mas preferimos não tentar", disse.

Orbán, acrescentou que, embora “discordem em muitas questões de política externa, as boas relações devem ser mantidas”.

"A Polônia quer um bloqueio do espaço aéreo [da Ucrânia], o que nós não queremos, pois isso significaria uma guerra aérea entre a Otan e a Rússia. Os poloneses querem um embargo de petróleo e gás, mas têm um litoral onde os navios que transportam GNL podem atracar, enquanto a Hungria só obtém energia pelo oleoduto", disse Orbán. "Mas tudo isso não é um problema, pois a aliança com a Polônia não foi criada para termos a mesma política externa, e sim para agirmos em conjunto contra a UE pelos nossos interesses".

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