Refugiados ucranianos deixando o país
Reprodução / Twitter Barack Obama - 10.03.2022
Refugiados ucranianos deixando o país

Mais da metade da população de crianças e menores da Ucrânia, estimada em 7,5 milhões, foi obrigada a abandonar suas casas desde que a Rússia iniciou a invasão do país, em 24 de fevereiro, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta quinta-feira.

Do total das 4,3 milhões de menores deslocados, 1,8 milhão atravessaram a fronteira para buscar refúgio nos países vizinhos e 2,5 milhões permanecem dentro da Ucrânia.

"A guerra provocou um dos maiores e mais rápidos deslocamentos de crianças desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou a diretora geral do Unicef, Catherine Russell. "É uma triste realidade que corre o risco de ter consequências duradouras para as próximas gerações. A segurança das crianças, seu bem-estar e o acesso aos serviços essenciais estão ameaçados por uma violência horrível e ininterrupta."

Até o momento, ao menos 81 crianças morreram na guerra e 108 ficaram feridas, de acordo com os dados publicados na quarta-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que admite que os números são inferiores à realidade. 

Ainda segundo o Unicef, cerca de 145 mil bebês necessitam urgentemente de suporte nutricional na Ucrânia. 

Ajuda para crianças e suas famílias

Muitos países europeus agiram rapidamente para apoiar mais de 3,6 milhões de refugiados que fugiram da Ucrânia no último mês, dos quais metade são crianças ou menores. O número de refugiados e deslocados internos chegou a 10 milhões nesta semana, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), correspondendo a mais de um quarto da população total ucraniana.

A União Europeia concedeu aos refugiados vindos da Ucrânia proteção temporária, o que significa que eles podem acessar empregos, educação, cuidados de saúde e habitação dentro do bloco. Além disso, muitos países adoratam medidas para ajudar as crianças e suas famílias.  

A Polônia recebe a maior parte dos refugiados, com mais de 2 milhões chegando desde o início da ofensiva russa. Segundo o Ministério da Educação do país, mais de 100 mil crianças ucranianas foram matriculadas na escola. 

Além disso, o governo polonês está facilitando a entrada de professores ucranianos no sistema educacional e ajudando os ucranianos que falam polonês a trabalhar como assistentes de ensino. Autoridades também estão aumentando os fundos para educação e permitindo classes maiores para permitir o acesso de mais crianças.

Na Romênia, onde mais de 560 mil pessoas cruzaram a fronteira, apenas 20% dos recém-chegados optam por permanecer. Segundo o Conselho Nacional romeno para os Refugiados (CNRR), muitos ucranianos preferem seguir para outros países onde têm amigos ou família.

No país, grupos da sociedade civil coletam e distribuem produtos como remédios, fraldas e fórmula para bebês. Na capital, a Prefeitura fez uma parceria com a associação local de caridade Carusel e a Universidade de Bucareste para criar um abrigo temporário onde os refugiados podem ficar e receber cuidados médicos, incluindo check-ups para grávidas. 

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A Moldávia, um dos países mais pobres da Europa na fronteira Sudoeste da Ucrânia, recebeu cerca de 370 mil refugiados. A maioria seguiu para os países vizinhos, que são membros da UE.

Grupos de voluntários oferecem transporte e abrigo para refugiados, distribuindo alimentos, produtos de higiene e fraldas. O governo também criou um site com informações para refugiados ucranianos, incluindo um registro de escolas e links para plataformas de aprendizagem online.  

Na Hungria, país que já aceitou mais de 330 mil refugiados, uma rede de voluntários independente está ajudando os ucranianos com transporte perto da cidade fronteiriça húngara de Zahony, onde recebem uma refeição quente e um lugar para ficar antes de seguir em frente.  

Na Eslováquia, mais de 260 mil refugiados ucranianos já cruzaram a fronteira. O Ministério da Educação disse que emitiu instruções em língua ucraniana para pais refugiados sobre como matricular seus filhos na escola e orientação para os diretores sobre a solicitação de financiamento para aulas de idiomas e funcionários extras.   

A República Tcheca, que faz fronteira com a Polônia e a Eslováquia, registrou 300 mil chegadas de refugiados até o momento. O governo introduziu um estado de emergência para lidar com o fluxo, com funcionários tentando realocar recém-chegados para cidades fora da capital Praga para aliviar a pressão.   

Os ucranianos que se registram na República Tcheca recebem 5 mil coroas tchecas (US$ 223), seguro de saúde gratuito e acesso à educação para crianças.  

Instituições de caridade locais também fornecem apoio, desde dormitórios de mães e bebês até a distribuição de itens como carrinhos. 

Proteção a Civis

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Peter Maurer, disse nesta quarta-feira que conversou com as autoridades russas sobre a necessidade de proteger os civis no conflito da Ucrânia.  

"É claro que falamos do direito internacional humanitário, da Convenção de Genebra, da gestão das hostilidades (...) e que os civis devem ser protegidos", afirmou durante uma entrevista coletiva com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. 

A Rússia nega, de forma sistemática, ser responsável pelas vítimas civis na Ucrânia, culpando os “nazistas” ou “nacionalistas” ucranianos de instalar sistemas de armamentos em zonas povoadas e usar a população como escudo humano.

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