Pastor Gilmar Santos, da Assembleia de Deus, é apontado como um dos que intermediam verbas para prefeitos junto ao Ministério da Educação
Reprodução 22/03/2022
Pastor Gilmar Santos, da Assembleia de Deus, é apontado como um dos que intermediam verbas para prefeitos junto ao Ministério da Educação

Acusado de usar sua influência para conseguir repasses de recursos do Ministério da Educação para prefeitos ao redor do Brasil , o  pastor Gilmar Santos deu início há duas semanas aos trâmites para criar uma faculdade. A "Faculdade ITCT" foi aberta no dia 8 de março na Junta Comercial de Goiás e, segundo o contrato social da empresa, ao qual o GLOBO teve acesso, Gilmar Santos investiu R$ 100 mil na criação do seu novo negócio.

Gilmar Santos é apontado como um lobista que atuava no MEC para ajudar prefeitos a conseguir liberação de recursos públicos . O pastor tinha acesso ao Palácio do Planalto e se reuniu quatro vezes com o presidente Jair Bolsonaro, responsável por recomendar o religioso ao ministro da Educação, Milton Ribeiro. Nessa quarta-feira, dois prefeitos ouvidos pelo GLOBO afirmaram que o pastor Arilton Moura, braço direito de Gilmar Santos, cobrava o pagamento de propina em troca do uso de sua influência na pasta.

Na noite desta quarta-feira, o pastor negou qualquer poder sobre os órgãos técnicos do Ministério da Educação, bem como em relação ao ministro Milton Ribeiro. Segundo ele, as acusações de que teria atuado como lobista dentro da pasta são inverídicas.

Em seu perfil nas redes sociais, Gilmar Santos se apresenta como diretor da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil e do ITCT, sigla para "Instituto Teológico Cristo para Todos". A primeira publicação na página da entidade é de junho de 2021 e, desde então, há o registro de que duas turmas já teriam sido abertas para o "Curso Básico em Teologia" e o instituto diz que é uma "reconhecida instituição teológica com tradição na formação de líderes". A inscrição nos cursos seria feita pelo site oficial do pastor.

O curso tem duração de um ano e cobra dos interessados um gasto mensal de R$ 69,90. Os registros da Junta Comercial de Goiás e da Receita Federal, entretanto, apontam que foi apenas no dia 8 de março que o pastor abriu a empresa, com o nome de "Faculdade ITCT". O documento indica que o estabelecimento de ensino oferecerá cursos de graduação, além de outras atividades de ensino não especificadas. O endereço apontado por Gilmar é o mesmo de sua igreja e de outras empresas em seu nome.

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