Ataque russo em Mariupol, na Ucrânia
Reprodução / Twitter - 13.03.2022
Ataque russo em Mariupol, na Ucrânia

Todos os cerca de 40 funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que atuavam em Mariupol, na Ucrânia, tiveram que deixar a cidade esta semana, devido à instabilidade do conflito na região, uma das mais afetadas pela invasão russa, afirmou Peter Maurer, presidente da organização, nesta quinta-feira. Ele está na capital Kiev para uma visita de cinco dias, e de lá falou, por videoconferência, com a imprensa internacional.

"Nossos funcionários foram embora de Mariupol com suas famílias. Não existe mais capacidade de operação na cidade, e essa é a razão pela qual eles escolheram, assim como outras milhares de pessoas, deixar Mariupol ontem", disse Maurer. As circunstâncias no local são bastante caóticas no momento.

A cidade é considerada a “zona de batalha urbana mais emblemática” do conflito russo-ucraniano, segundo o presidente do CICV. Localizada no Mar de Azov, contíguo ao Mar Negro, Mariupol está cercada pelos russos, que dificultam a entrada de suprimentos humanitários.

Na quarta-feira (16), autoridades locais chegaram a acusar Moscou de bombardear um teatro onde a população estava abrigada para se proteger dos bombardeios. Duas tentativas de abertura de corredores humanitários, para fuga dos civis, também fracassaram no local.

De acordo com Maurer, porém, o CICV está se organizando para retomar seu atendimento o mais rápido possível em Mariupol.

"A missão do CICV é atender as pessoas onde quer que surjam necessidades, nós sempre dissemos isso. Então, retirar [nossos funcionários] por um determinado momento de zonas de combate, como em Mariupol, não é um impedimento para voltarmos para lá o mais rápido possível", disse ele. "Já fizemos os ajustes logísticos necessários."

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que atua na Ucrânia já há oito anos, principalmente na região de Donbass, fez ainda um apelo às partes beligerantes:

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"Apelo para que aproveitem todas as oportunidades para avançar nas negociações e aliviar o sofrimento dos civis e das pessoas que não estão envolvidas no conflito. O que vimos em Sunny, quando agentes humanitários neutros da Cruz Vermelha e do CICV puderam ajudar milhares de crianças, idosos e enfermos, é algo de que precisamos muito mais" , declarou. "Mas me entristece que as crianças estejam embarcando em ônibus para o desconhecido em vez de embarcar em ônibus para suas escolas."

Decorridos 22 dias do início do conflito, o cenário de devastação é “amplo”. Mas ainda que um cessar-fogo não tenha sido alcançado até o momento, há medidas práticas que as partes podem tomar neste momento, “respeitando o direito internacional humanitário para limitar o sofrimento civil”, disse Maurer.

Ele listou cinco pontos: acordos concretos que permitiriam a abertura de corredores humanitários; permitir a ajuda humanitária ampla; garantir abrigo e proteção para todos que não participam diretamente do conflito; poupar a infraestrutura civil de ataques, incluindo hospitais, escolas e instalações de água e de eletricidade; e tratar os prisioneiros de guerra com dignidade. As convenções de Genebra garantem ao CICV o acesso aos detidos, mas isso ainda está sendo negociado com a Rússia e a Ucrânia.

O CICV atua na Ucrânia há oito anos, na região de Donbass, onde ficam as províncias separatistas de Luhansk e Donetsk. Segundo Maurer, o trabalho da organização humanitária foi ampliado maciçamente após o início do conflito.

"Só esta semana, foram entregues mais de 200 toneladas de suprimentos de socorro, como material médico, milhares de cobertores, utensílios de cozinha e lonas. Também enviamos dezenas de funcionários adicionais para a região, entre eles médicos, especialistas em contaminação de armas, engenheiros, logísticos e outros que podem fazer uma diferença imediata para as pessoas necessitadas", afirmou.

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