87 técnicos e especialistas russos precisaram deixar um centro espacial na Europa por determinação do governo russo
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87 técnicos e especialistas russos precisaram deixar um centro espacial na Europa por determinação do governo russo

O ataque da Rússia contra a Ucrânia pode ter efeitos também em áreas que parecem distantes do conflito, como o desenvolvimento de missões espaciais.

O principal impacto deve ocorrer na missão para Marte ExoMars, uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, e que estava prevista para ocorrer em setembro deste ano após ser adiada em 2021.

Em nota, a ESA informou que por conta "das sanções internacionais e do amplo contexto geral" acredita ser "muito improvável" que haja condições de lançamento da missão. Além disso, haveria ainda o lançamento em abril de dois novos satélites da constelação Galileu por meio da nave russa Soyuz, a partir da base localizada em Kourou, na Guiana Francesa.

Nesta segunda-feira (28), 87 técnicos e especialistas russos precisaram deixar o centro espacial por determinação do governo russo como uma resposta às sanções impostas ao país pela União Europeia.

"Em resposta às sanções contra nossas empresas, a Roscosmos está suspendendo a cooperação com os parceiros europeus na organização dos lançamentos espaciais de Kourou e retirando seu pessoal, incluindo equipamento de lançamento consolidado, da Guiana Francesa", informou também em nota a agência russa.

Pouco após essa manifestação, o comissário europeu para o Espaço, Thierry Breton, afirmou que a decisão dos russos "não têm consequências sobre a continuidade e sobre a qualidade dos serviços Galileu e Copernicus" e que "também não coloca em risco o desenvolvimento dessas infraestruturas".

"Estamos prontos para agir com decisão junto aos Estados-membros para proteger essas estruturas críticas em caso de agressão, e a continuar a desenvolver a Ariane 6 e a VegaC para garantir a autonomia estratégica da Europa na área de lançamentos", acrescentou citando as naves da ESA.

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Desde 2011, a parceria entre europeus e russos já proporcionou 27 lançamentos, sendo o último em 10 de fevereiro deste ano.

ExoMars

Dividida em duas missões, a ExoMars quer buscar indícios de vida em Marte, além de estudar mais sobre a composição do Planeta Vermelho.

Em março de 2016, a primeira missão foi iniciada com o lançamento do Trace Gas Orbiter (TGO), que pousou com sucesso em outubro daquele ano, sendo o primeiro rover europeu a fazer uma missão com sucesso.

Já a segunda missão seria enviada em 20 de setembro deste ano - com uma janela de 12 dias - com pouso previsto para 10 de junho do ano que vem.

Nasa

Por outro lado, a Nasa informou que segue em colaboração com a Rússia na Estação Espacial Internacional (ISS). Segundo a responsável pela divisão de Operações Humanas nos Voos Espaciais da Nasa, Kathy Lueders, o cronograma de parcerias não teve alterações.

A representante confirmou que o astronauta norte-americano Mark Vande Hei voltará à Terra com a cápsula russa Soyuz em 30 de março com dois cosmonautas russos. Também está confirmada a missão Crew-4 da Space X que vai levar a italiana Samantha Cristoforetti novamente à ISS. (ANSA).

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