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"Vergonha e tristeza": Papa Francisco fala sobre abusos cometidos por religiosos

papa Francisco se posicionou sobre a divulgação de um relatório independente que investigou a conduta de membros da igreja católica ao longo dos últimos 70 anos na França e disse estar com "vergonha, tristeza e pesar". Segundo o documento divulgado na última terça-feira (05), ao menos 216 mil crianças foram abusadas por fiéis e o número pode ultrapassar os 300 mil se adicionado as agressões realizadas por colaboradores sem cargos eclesiásticos.

"Desejo expressar às vítimas minha tristeza e meu pesar pelos traumas sofridos e minha vergonha, nossa vergonha, pela longa incapacidade da Igreja em colocá-las no centro de suas preocupações, assegurando-lhes minhas orações. Rezo e todos nós rezamos juntos: 'A ti, Senhor, a glória, a nós a vergonha': este é o momento da vergonha", declarou Francisco após Audiência Geral nesta quarta-feira (06).

O pontífice pediu, então, pediu aos bispos, fiéis e religiosos para que haja um esforço em prol da evolução católica e evitar que casos como estes voltem a se repetir. "Encorajo os bispos e vocês, queridos irmãos que vieram aqui para compartilhar este momento, encorajo os bispos e superiores religiosos a continuarem fazendo todos os esforços para garantir que dramas semelhantes não se repitam. Expresso aos sacerdotes da França proximidade e apoio paternal diante desta provação, que é dura, mas saudável, e convido os católicos franceses a assumirem suas responsabilidades para garantir que a Igreja seja uma casa segura para todos".


O relatório investigativo possui 2.500 páginas e foi entregue na última terça-feira por Jean-Marc Sauvé, presidente da comissão, a Eric de Moulins-Beaufort, chefe da Conferência dos Bispos da França (CEF, na sigla em francês).

O documento alega que a igreja católica mostrou "por anos, indiferença profunda, total e até cruel" ao proteger os abusadores e não prestar auxílio as vítimas - em sua maioria, meninos de 10 a 13 anos. Há a expectativa de que o número de abusadores seja entre 2,9 mil e 3,2 mil membros da Igreja. Embora a maioria dos atos tenha prescrito - ou os autores das agressões já tenham falecido -, cerca de 22 supostos crimes foram encaminhados ao Ministério Público.

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