Por meio do Departamento de Justiça, Pence argumentou que o processo é uma
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Por meio do Departamento de Justiça, Pence argumentou que o processo é uma "contradição jurídica"

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, pediu à Justiça americana na noite de quinta-feira (31) que rejeite um processo aberto por deputados republicanos que visa pressioná-lo a mudar o resultado das eleições presidenciais, no que é o mais recente dos esforços do presidente Donald Trump e de seus aliados de invalidar a vitória do democrata Joe Biden .

Em 6 de janeiro, no que é a última etapa do processo eleitoral americano antes da posse de Biden , no dia 20, a Câmara dos Deputados e o Senado se reunirão em uma sessão conjunta para contar os votos dos delegados ao Colégio Eleitoral , que se reuniram em 14 de dezembro e ratificaram a vitória do democrata. Pela legislação, cabe ao vice-presidente , que é também presidente do Senado, presidir a sessão e proclamar o resultado.

A etapa costuma ser mais uma formalidade do processo eleitoral, mas políticos republicanos , liderados pelo deputado Louie Gohmert, do Texas, querem alterar as regras da certificação feita pelo Congresso, em uma tentativa de dar a Pence o poder de rejeitar o resultado em estados que deram a vitória a Biden .

Os republicanos argumentam que uma lei de 1887 que rege a forma como o Congresso certifica as eleições presidenciais é inconstitucional. A ação argumenta que a Constituição dá ao vice-presidente, atuando como presidente do Senado, a liberdade de decidir se os votos do Colégio Eleitoral são válidos.

Por meio do Departamento de Justiça , Pence argumentou que o processo é uma "contradição jurídica", já que o vice-presidente não poderia ser alvo da ação. Em vez disso, os republicanos deveriam processar o Congresso, que aprovou a lei original.

Apesar de especialistas concordarem que a lei de 1887 é vaga e confusa, ela nunca foi contestada. "O processo de Gohmert não tem mérito legal e é mais uma sabotagem contra a nossa democracia", criticou a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara.

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A ação movida pelo grupo de republicanos é a mais recente em uma série de tentativas de Trump e de seus aliados de anular o resultado da eleição na qual o republicano foi derrotado. Biden teve 81 milhões de votos populares, 7 milhões a mais do que Trump. No Colégio Eleitoral, teve 306 votos, contra 232 de Trump.

O episódio é a primeira indicação de que Pence está rompendo com a estratégia Trump, já que ele chegou a defender as falsas alegações do presidente de que o pleito foi fraudado. Caso o pedido dos republicanos seja rejeitado pelo Justiça antes de 6 de janeiro, o vice-presidente sofreria menos pressão política quando presidir a contagem dos votos do Colégio Eleitoral.

Na quarta-feira (30), o senador republicano Josh Hawley, de Missouri, já havia anunciado que, no dia 6, faria objeções ao processo de certificação dos resultados do Colégio Eleitoral. Isso levaria a votações na Câmara e no Senado sobre a validade das objeções, mas não mudaria a vitória de Biden, já que a Câmara tem maioria democrata, e muitos republicanos do Senado já reconheceram a derrota do presidente.

As manobras republicanas são vistas como mais uma tentativa de transformar um processo rotineiro, que normalmente passa despercebido, em um espetáculo para agradar a base trumpista.

De acordo com a imprensa americana, o próprio líder republicano no Senado , Mitch McConnel, antes um forte aliado de Trump, teria pedido explicações a Hawley.

O senador de Missouri é visto como um potencial candidato à Presidência em 2024, e seu objetivo seria uma tentativa de angariar o apoio antecipado dos apoiadores do atual presidente.

"O presidente e seus aliados estão brincando com fogo. O que temos aqui são políticos ambiciosos que acham que existe uma maneira fácil de conquistar a base populista do presidente sem efeito concreto algum", disse o senador republicano Ben Sasse, de Nebraska, criticando as tentativas de invalidar o processo eleitoral, mas sem mencionar diretamente Hawley.

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