Johnson
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Boris Johnson disse ser exagero acreditar que vacina possa surgir ainda neste ano

Nesta segunda-feira (20), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson , disse não estar "100% confiante" que uma vacina contra a Covid-19 seja finalizada e distribuída ainda neste ano.

"Para afirmar que estou 100% confiante que teremos uma vacina , neste ano ou no próximo, infelizmente é um exagero. Não estamos lá ainda", apontou Johnson, em coletiva reproduzida pela agência de notícias Reuters.

A declaração ocorre no mesmo dia em que o Reino Unido anunciou novos acordos para o fornecimento de outras duas que estão em desenvolvimento. Com isso, o país garantiu mais 90 milhões de doses das vacinas para distribuir à população quando os resultados forem conclusivos e as produções iniciadas.

Relação com Hong Kong

Na mesma coletiva, Johnson afirmou que o Reino Unido vai suspender o acordo de extradição que mantém com  Hong Kong como mais uma forma de retaliar a China pela aprovação da polêmica lei nacional de segurança.

Com isso, os britânicos se negarão a enviar para o território semiautônomo qualquer pessoa considerada fugitiva ou procurada pelo governo chinês. O acordo havia sido firmado em 1997 com Pequim e também envolve Austrália e Canadá - que já suspenderam o pacto.

Para entrar em vigor, a medida precisa ser apresentada pelo governo para a Câmara dos Comuns, que é quem tem a palavra final sobre o tema. "Eu não pretendo ser acusado de ser sinofóbico por um reflexo condicionado, automaticamente antichinês. Mas, precisamos responder a algumas graves preocupações [...] sobre o que está acontecendo em Hong Kong", disse Johnson.

Ele ainda lembrou que, além das questões envolvendo Hong Kong, há uma  crescente preocupação com a situação da minoria uigur em Xinjiang e as "violações de direitos humanos".

Essa é mais uma medida anunciada por Londres contra Pequim desde a implementação da polêmica lei de segurança nacional no território , no dia 30 de junho. Antes da suspensão do acordo, os britânicos revisaram e ampliaram a concessão de vistos e o consequente processo de cidadania para aqueles que tem um passaporte para trabalho no Reino Unido. Além disso, os  britânicos excluíram a gigante chinesa Huawei da participação do desenvolvimento da tecnologia 5G no país.

Pouco antes de Johnson confirmar a medida, a China havia dito que estava se opondo "com força" às medidas britânicas e que era para o governo não tomar a decisão de suspender o acordo para "não piorar as já desgastadas relações bilaterais".

Segundo o novo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, se Londres continuar com a medida, "tomaremos ações robustas contra ações que interferem nos assuntos internos chineses".

"As recentes observações e medidas erradas do Reino Unido sobre Hong Kong estão ignorando os fatos de que a base da lei de segurança nacional contribui com a estabilidade e com o desenvolvimento de longo prazo do modelo 'um país, dois sistemas'. Elas violam o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, interferindo gravemente nos assuntos internos da China", concluiu Wenbin.

A polêmica lei de segurança nacional trata, entre outros pontos, de casos de subversão e secessão, terrorismo e permite a instalação de agências chinesas de segurança e inteligência que não se submetem ao poder local.

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